Sobre o Peru…

O Peru pode ser definido para nós brasileiros, como a grande pérola no continente em termos geográficos. É impressionante que um país do tamanho de um estado tenha uma versatilidade tão fantástica em termos de paisagens e culturas. Você sai do litoral do Pacífico e em seis horas está nas montanhas de neve de Huaraz. Mais algumas horas você está no deserto de dunas de Huacachina. Indo mais ao sul as florestas e as montanhas do vale sagrado. Sem dúvidas sua alcunha de Terra de Tesouros não pode estar errada. Venha conhecer melhor sobre esse país antes de ir até lá… ou mesmo depois que já foi! 
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Machu Picchu

Nome

Estranho como alguns nomes persistem apesar de não fazerem mais tanto sentido. Se alguns estudos estiverem corretos o nome Peru deriva de uma simples confusão que os espanhóis fizeram com o nome ou de um local, ou de uma civilização pré-inca ou de um chefe de comunidade da região panamenha: Viru. O que realmente é Viru é difícil saber pois existem informações que não batem, talvez podendo ser confirmada só através de uma investigação acadêmica mesmo.

Mas não seja ingênuo como a revista Veja que afirmou em 2017 que o nome do país originava-se da ave, até mesmo porque os perus não são desta região e não tem nenhuma relação com a cultura peruana. Mas a grande curiosidade vem agora: na verdade é o nome da ave em português (peru) que se origina do nome do país, pois lá atrás o os portugueses acreditavam que era daqui que vinha a ave que importavam para comer. Só que detalhe, durante alguns anos, Peru era sinônimo de “América Espanhola” pra eles, ou seja, a geografia no caso pouco importava, já que o peru (ave) era oriundo de Yucatã, na região do México.

População

Um país de cerca de 31 milhões de habitantes com um grande índice de miscigenação começando pela mistura de descendentes do império Inca com os dos espanhóis, passando depois para a mistura com povos africanos e asiáticos (principalmente japoneses).

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Lima

História Breve

O Peru detém uma história das mais ricas do planeta quando se fala em civilizações antigas, isso porque a civilização de Caral ocupou a costa do Pacífico por volta dos 3000 a.C e no decorrer dos vários milhares de anos outras culturas e povos foram se desenvolvendo localmente como os povos Cupisnique, Paracas, Nazca, Chimu e tantos outros.

O mais legal quando se viaja ao Peru é tomar conhecimento destas civilizações indo a lugares um tanto quanto enigmáticos como as ruínas de Chan Chan (em Trujillo) que pertenceu ao povo Chimu e mais parece com o país da areia da animação do Naruto. Ainda em Trujillo você encontra as Huacas com muitas heranças deixadas pela cultura Moche! Entende como é rico?

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Huaca de la Luna – Trujillo (Peru)

Se você for a mais para o sul, encontrará em Paracas alguns pequenos vestígios da cultura de mesmo nome, já bem parecida com outra ainda mais fantástica: Nazca. Os geoglífos nas areias do deserto de Nazca estão dentre as coisas mais impressionantes que você verá no planeta e até hoje geram perguntas mil. Só tem um problema, vê-las de cima exige de você um estômago e tanto para curtir os vôos panorâmicos de aviãozinho.

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Chan Chan – Trujillo (Peru)

Tá… e os Incas? Percebeu que nem falamos deles né? Mas é porque eles só aparecem como um império poderoso no século XV e em cem anos tornaram-se o maior império pré-colombiano da América. É óbvio que isso é fruto de um imperialismo que suprimiu diversas culturas de menor tamanho, muitas vezes também subjugando seus povos. O interessante é que a cultura inca era toda baseada na agricultura, na troca e na reciprocidade pois mercado e dinheiro eram coisas desconhecidas por lá.

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Geoglifo em Paracas (Peru)

O que eles não previam era a chegada dos colonizadores e anteriormente dos vírus mais mortais vindos da Europa. Se ao norte a febre tifo varreu os Aztecas do mapa, ao sul a varíola o fez com os Incas, e este enfraquecimento favoreceu os espanhóis a dominarem os territórios. Pizarro se torna uma destas figuras “lendárias” que se utilizaram de todos os métodos possíveis para conquistar o que queria e plantando a discórdia no império dos irmãos Atahualpa e Huáscar subjugou toda a região.

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Machu Picchu

Daí em diante os espanhóis dominam até a independência promovida por Simón Bolívar e José de San Martín, os libertadores. Porém, como já sabemos, a turbulência política habitará todas as décadas seguintes na América latina e os territórios de Arica (ao sul) foram tomados pelo Chile após a derrota na Guerra do Pacífico.

Situação atual

O Peru passa por todas as mazelas políticas e sócio-econômicas pelos quais passaram todos os países vizinhos. Pobreza, heranças de uma colonização exploratória, golpe militar na segunda metade do século XX, guinada a esquerda, corrupção e uma ligeira volta ao crescimento econômico.

O Peru desenvolveu uma área do turismo que nos outros países não é tão forte: o turismo gastronômico, sendo eleito várias vezes como a melhor gastronomia do mundo por sua cultura, riqueza e diversidade. Se você for ao Peru com uma situação econômica favorável poderá degustar de muita coisa boa por aqui.

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Em relação a segurança, é impressionante o preconceito que nós brasileiros trazemos nas nossas bagagens! Falamos muito dos argentinos possuírem um ‘ar superior’ em relação ao restante do continente, mas sinceramente não ficamos para trás. Tudo bem se não nos conectarmos tão bem por causa da língua, mas todos os países nos olham muito bem como um irmão latino americano e nós muitas vezes não. E esse preconceito nos faz pensar que estes países chegam a ser perigosos e tudo mais, no entanto, se você morar em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, BH, Brasília, Belém, Porto Alegre, Fortaleza… sinto muito, o Peru não é perigoso como a sua cidade. Os cuidados aqui serão os mesmos para todos os países americanos: não dar bobeira com os pertences, estar minimamente alerta aos arredores, evitar becos noturnos e etc… mas a chance de você ser abordado por alguém armado é muitas vezes menor do que nas capitais brasileiras… infelizmente.

Preconceitos terríveis que você quebrará

Peruanos e Bolivianos não são a mesma coisa. Imagine você indo para a Ásia e um chinês te chama de argentino e você diz revoltado que é brasileiro e ele te responde: é tudo a mesma coisa. Daí você argumentará as diferenças linguísticas, futebolísticas, musicais, artísticas, geográficas e culturais… Pois bem.. é o mesmo com peruanos e bolivianos. Obviamente que possuem muito em comum, mas as diferenças entre Chile, Bolívia, Peru e Argentina são grandes e um fator triste é o destes países ainda explorarem a mão de obra barata boliviana para vender artesanias a preços mais altos em seus territórios próximos.

Peru não se resume a Machu Picchu. O famosos turista padrão será aquele que comprará um pacote saindo do Brasil pra ir a Cusco e Machu Picchu. Nada contra, muito pelo contrário! São lugares lindos e cheios de histórias! Mas não conte, depois que voltar, que o Peru se resume a isso. Isso é ainda mais injusto quando você repara a riqueza cultural e principalmente geográfica do país que possui inclusive um lugar conhecido como ‘melhor que a Suíça” em Huaraz. Quem fala isso? Os suíços, alemães e franceses que vem aos montes para essa região.

Altitude

O Peru também abrange a cordilheira dos andes e é impossível fugir dos lugares altos também por aqui, embora, especificamente nós tenhamos nos dado muito bem com as aclimatações e trekkings que fizemos sem nunca termos sofrido de soroche ou algo do tipo. Você pode ler sobre nosso mochilão pelo Peru aqui: Mochilão Peru e Equador

No entanto, a quantidade de conhecidos e relatos de quem foi direto do Brasil para Cusco/Machu Picchu e sofreu de soroche é grande. A aclimatação é sempre necessária! E falamos isso pois Cusco é relativamente baixo para os padrões peruanos de altitude. lugares como Salkantay, Huaraz, Laguna 69 e outros podem te dar uma ideia do quão complicado pode ser caminhar quilômetros acima dos 4000m acima do nível do mar.

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Machu Picchu

Aqui cabem algumas dicas valiosas sobre o lugar mais desejado por muitos turistas no Peru:

  • Não compre nada lá! É tudo absurdamente caro e exagerado. Até a água!;
  • Não, Machu Picchu não fica na cidade de Cuzco! É até bem longinho! A cidade mais próxima é Águas Calientes.
  • Você tem várias formas de ir, partindo de Cuzco, como trem (caro) e trekkings de vários dias. Nós fomos pela trilha Salkantay e podemos dizer que é daquelas experiências pra vida toda e quando você chega em Machu Picchu, é a cereja de um bolo delicioso que você apreciou por dias;
  • Não fique só em Machu Picchu, as ruínas estão por todos os lados de Cusco e tem muita coisa interessante, inclusive ainda sendo descoberta!
  • Para subir o “pão de açucar” de Machu Picchu, conhecido melhor como Wuaynapicchu você deve agendar/comprar antecipadamente pois não entrará lá decidindo na hora em que estiver por lá. É limitado a 400 pessoas por dia e as escadas vão fazer seu joelho ficar bem feliz, só que não;
  • Para entrar em Wuaynapicchu você deve saber qual grupo escolherá! O grupo 1 ingressa das 7h as 8h da manhã com no máximo 200 pessoas e o grupo 2 das 10h as 11h da manhã. O percurso é de 2h a 2h30 no total e de lá de cima você terá a vista de Machu Picchu inteira.
  • Machu Picchu também tem entrada limitada, a 3200 pessoas, portanto tenha também sua entrada meio reservada pois é gente pra caramba lá! A maioria dos turistas do mundo todo vão ao Peru só pra ver este lugar.
  • Você pode conseguir pass para Machu Picchu aqui https://machupicchupass.com
  • Você pode ter um carimbo especial de Machu Picchu em seu passaporte é só pedir de graça em um dos postos na entrada;
  • Curta bem Águas Calientes, os preços lá são tranquilos e o lugar é uma graça!
  • É de lá que você vai para Machu Picchu e você pode escolher de bus (trocentos horários) ou a pé numa subida de escadas que até pode ser puxada, mas confesso que subi de boa, atravessando a ponte as 5h da manhã e chegando em 40 minutos de uma caminhada bem gostosa.
  • Machu Picchu abre suas entradas as 6h00 e fecha as 17h30 que é quando os turistas se vão e os funcionários recolhem as Llamas!
  • Não vá sem um guia para Machu Picchu. Seja por Trekking ou pacote. Porque? Os guias, principalmente os bem preparados e de origem peruana nativa sabem a real história e as curiosidades do lugar não deixando você cair em lorotas místicas e outras tontices cultuadas no Brasil e na Europa sobre o lugar ser o centro da terra, aeroporto de óvnis, ter um túnel para São Tomé das Letras e etc… Além disso, fazendo com guias você valoriza a economia e o povo local, sua história e cultura.
  • Prepare-se para andar o dia todo e curtir um dos lugares mais bonitos do Peru! Torça pra ter Sol, mas se não tiver, curta mesmo assim!
  • Procure este lugar mais próximo da entrada, subindo rumo a porta do Sol quando estiver mais vazio e com sol para tirar a sua foto mais clichê possível de Machu Picchu! 😉

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Idiomas

Aqui o espanhol é o de praxe assim como na Bolívia, mas para muitas famílias (as mais tradicionais e ancestrais), o espanhol não é a língua materna e isso por um lado é bom pois você encontrará um idioma bem mais vagaroso e fácil de entender que o da Argentina por exemplo que é super rápido. Há muitas pessoas (jovens inclusive) que falam mais outros idiomas como o quíchua e o aymará do que o castelhano.

Moeda

O Nuevo Sol, moeda Peruana é uma das facilidades em viajar pelo país, já que seu câmbio sempre beira o 1 = 1 com o real. Isso facilita muito na hora de fazer e pesquisar sobre câmbios nas cidades.

Um adendo importante é a questão das falsificações de notas e moedas. Esteja atento aos transportes (táxis), comércios e restaurantes  para não se dar mal. Moedas lisas e leves demais, notas com textura estranha (muito lisa e meio plástica) costumam ser indícios de que você está em contato com dinheiro falso.

Transporte

Aqui você encontra um baita diferencial no Peru! As estradas são muito boas em sua maioria (por todo o território) e melhor do que isso são as empresas de transporte rodoviário que possuem uma organização e tanto, inclusive se for viajar de bus pelo país pesquise antes na internet por agências como a Cruz del Sur, Oltursa e outras que fazem promoções e geralmente possuem acentos promocionais em todas as viagens com os chamados preços “insuperáveis”, e de fato, a economia é enorme se fizer com antecedência! Isso foi algo que usamos e abusamos no Peru e nos demos muito bem!

Além disso, os serviços são bons e o controle de viajantes e bagagens te inspiram segurança e confiança, pois até foto tiram de você antes de embarcar. Só há um problema: em viagens longas você sempre vai ouvir a comissária do ônibus (sim!!! eles tem isso!!!) falando no microfone que o serviço higiênico é somente urinário, ou seja, você terá que esperar pra fazer seu cocô em algum posto ou quando chegar. Controle a pança!

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É… esse não é tão seguro e é pior que montanha russa – Buggy em Huacachina (Peru)

Urbanismo

Em Cusco você terá uma bonita arquitetura para admirar, mas no nosso caso quando fomos, nos sentimos tristes de verdade visitando a cidade. Por que? Porque todas as igrejas e prédios grandes construídos pelos espanhóis durante a colonização tem suas belas pedras retangulares advindas dos templos incas que foram destruídos. Isso nos faz refletir do quanto a arquitetura deve em sua estética à quantidade de sangue derramado e povos escravizados.

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Nas cidades secas é comum as casas não terem telhados devido ao fato de praticamente nunca chover. Isso é no mínimo curioso, assim como o fato de muitas casas não possuírem reboco nas paredes externas em qualquer cidade, por imputar impostos a mais para os residentes.

Porque visitar o Peru?

Não há lugar no continente comparável ao Peru no que diz respeito a diversidade geográfica e climática. E se tratando de um país relativamente pequeno, você poderá passar por quase todas elas durante um mês de mochilão por exemplo. Só pra você ter noção:

  • Litoral pacífico (geralmente seco e sem chuvas e com neblina de manhã): Lima, Paracas, Huanchaco, Callao…
  • Sul úmido (altitudes de 1500 pra cima com montanhas, florestas e ruínas): Cusco, Machu Picchu, Águas Calientes e Puno no Titicaca;
  • Sul seco (mais alto e com vulcões): Arequipa e Tacna
  • Desertos (dos mais duros e pedregosos aos moles com dunas): Huacachina, Trujillo, Ica, Nazca;
  • Montes Nevados (altitudes mais elevadas e frio): Huaraz;
  • Amazônia (a nascente do rio Amazonas é nas cordilheiras): Iquitos;

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Nossos posts sobre a Bolívia:

Laguna 69 – PERU / Trilha Salkantay – MachuPicchu – Peru / Huaraz – O Peru que poucos conhecem / Huacachina, oásis no Peru / Circuito Mágico das Águas! / Ocarinas da Casa Concha (Cusco) / Nadando com Lobos Marinhos no Peru / Mochilão Peru e Equador

O que ler, assistir ou ouvir sobre a Bolívia:

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