Sobre a Bolívia…

A Bolívia é sem dúvidas o país mais impressionante e inexplorado da América do Sul. Em termos de superlativo temos aqui o maior deserto de sal do mundo: Uyuni; e o lago mais alto do mundo o Titikaka. Mas o povo e a estrutura social são de longe os mais diferente de tudo o que você verá no restante do continente. Venha entender o porquê!

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Copacabana (BOL)

Nome

Pra começar, você sabe porque a Bolívia se chama Bolívia? O que significa este nome? Espanhol? Quechua? Aymará? Não… o nome advém da afirmação de um antigo político (1825) que afirmou: “Se de Rômulo, Roma; de Bolívar, Bolívia.”

É importante saber quem foi Simón Bolívar? Claro! Ele é considerado o Libertador de quase todos os países do oeste da América do Sul. Nascido na Venezuela pelos anos 1783, era de família aristocrata e passou boa parte da juventude estudando e porque não, mochilando na Europa (onde escalou o Vesúvio com outro carinha importante: Humboldt). Era um jovem romântico daqueles cheios de energia, disposto a emancipar a América espanhola. E conseguiu. Foi um dos fundadores da Grã Colômbia (Colômbia – Equador – Venezuela).

Ele é considerado uma espécie de George Washington da América do Sul e se você curte a Libertadores… já sacou de onde veio o nome e o grau de importância histórica que ele tem né?

Morreu com 46 anos, de tuberculose, e teve um país com seu nome: Bolívia. O problema foi que quando libertou estes países todos não conseguiu dar continuidade e formar pessoa que seguissem com suas ideias, o que o levou a ir centralizando cada vez mais o poder em sua autoridade. Mas nem assim perdeu seu prestígio.

História Breve

Saiba que há mais de 12.000 anos o território boliviano já era habitado por humanos e próximo dos anos 300 por povos Tiwanaku (há sítios perto de La Paz e no Titicaca) e Aymarás, dentre outros, que foram posteriormente, no século 8 incorporados pelo império Inca.

Em 1535 chegam os espanhóis e inicia-se um período de quase 500 anos de muita luta e principalmente derrotas dos povos originários. Guarde bem a palavra derrota, nenhuma outra define melhor a história desta nação e entender isso os fará entender como povo sério, humilde, tímido e com certa baixa auto-estima.

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Tiwanaku – Próximo a La Paz

Seu território e o sentimento de derrota

Pois bem… lembra das derrotas? Então! É importante saber que a Bolívia perdeu os seguintes territórios em cerca de 150 anos desde a sua independência (1835):

  • A região do Acre e o oeste do Amazonas para o Brasil após uma permuta e uma venda a preço de banana (1867 e 1903);
  • Perderam a saída para o mar para o Chile em 1904 (Guerra do Pacífico);
  • A região ao sul para Argentina (1925);
  • Regiões próximas a Copacabana para o Peru (1930);
  • 75% do Chaco para o Paraguai na maior guerra que a Bolívia já teve. (1938).

Entendeu? Outra coisa… a saída para o mar é um desejo até hoje para eles. Evo Morales apelou para ONU e Haia, mas até hoje não houve acordo e o Uruguai de Mujica (<3) é quem acabou ajudando dando acesso ao mar pela bacia da prata ao Atlântico.

Se liga só nessas pinturas que fotografamos em Uyuni quando estávamos no mesmo dia da chegada das motos do Dakar.

Situação atual

A Bolívia já foi o país mais miserável do continente, no entanto, após a guinada dos partidos de esquerda na América do Sul, a Bolívia finalmente conseguiu sair do buraco através de diversas políticas de distribuição de renda e protecionismo por parte de Evo Morales. Goste ou não dele, os bolivianos gostam e com certa razão se for olhar o desenvolvimento que alcançaram depois de décadas de miséria e exploração por países desenvolvidos.

O problema de Evo provavelmente será um remake em relação a continuidade. Nomes populares demais tem uma gigantesca dificuldade em dar continuidade e passar a bola a alguém com gás novo. Mas se você visitar a Bolívia hoje encontrará um país com uma auto-estima bem maior, uma moeda mais fortalecida e uma economia mais forte, apesar de todos os problemas decorrentes de sua história complicada e latino americana.

Apesar disso, os problemas seguem e é normal ver protestos pelas cidades! Vimos muitos em La Paz e Sucre principalmente e não estranhe se você ver uma passeata ou um protesto só de anciões!

Preconceitos terríveis que você quebrará

Esqueça qualquer relação que você tenha ouvido falar no Brasil entre a Bolívia e as drogas. Você não encontrará nem de perto a quantidade de drogas e usuários que se encontra em qualquer cidadezinha brasileira.

Aqui o negócio é outro. A produção da folha de coca é liberada pois a planta é historicamente ligada ao povo e a geografia dos andes. A política de liberação da produção por Evo Morales ajudou muito a economia do país e se você pesquisar entenderá que foi um ótimo negócio.

Eles amam o Brasil e se você disser que um dos piores problemas nosso é a quantidade de drogas e de usuários em situação ruim, além de uma política ridícula em relação a elas, você terá um boliviano boque aberto em sua frente, pois eles nem imaginam. E apesar de ser um país pobre economicamente é bem mais seguro que o Brasil de hoje.

Aliás… humanisticamente falando o Brasil está em falta com seus irmãos vizinhos. Somos conhecidos por escravizar bolivianos em fábricas têxteis e em ser o maior comprador de matéria prima para o tráfico.

Altitude

Aqui há um detalhe importante. Geograficamente a Bolívia é um país muito alto do sul para o Norte. Suas fronteiras com o Peru e o Chile sobem rapidamente do nível do mar aos incríveis 4 mil metros e em La Paz (uma das capitais) você sentirá de perto a loucura que é andar num lugar desses e ficar sem fôlego a cada subida ou escada. Se você passou mal em Cusco que não é tão alto, prepare-se!

 

Idiomas

Aqui o espanhol é o de praxe, mas para muitas famílias (as mais tradicionais e ancestrais), o espanhol não é a língua materna e isso por um lado é bom pois você encontrará um idioma bem mais vagaroso e fácil de entender que o do Chile por exemplo que é super rápido. Há muitas pessoas (jovens inclusive) que falam mais outros idiomas como o quíchua e o aymará do que o castelhano.

Moeda

O Peso Boliviano já foi uma das moedas que comprávamos a preço de banana no Brasil, mas isso foi mudando e hoje está entre 2 para 1, devido a recessão brasileira. No entanto, a Bolívia ainda segue sendo o país mais barato para viajar no continente depois da Venezuela. Comer aqui é barato! Comprar artesanato e roupas também! E muitos dos passeios você pode pagar mais barato saindo daqui do que do Chile ou Peru.

Transporte

As rodovias bolivianas não são das mais animadoras, mas quando fomos encontramos até que uma tranquilidade maior do que esperávamos. Claro, os ônibus não são aquelas coisas e o sistema de passagens e rodoviárias então nem se fala, uma bagunça só!

Em La Paz o trânsito é uma balbúrdia, repleta de carros velhos chineses e japoneses, e uma buzinaiada louca. Mas tem um detalhe que nos faz ter inveja: é raríssimo vê-los brigando e se xingando como por aqui (e por muito menos).

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Protesto contra troca de frotas de táxis em La Paz e El Alto

Urbanismo

Se for se aventurar por aqui, tenha sempre um papel higiênico de reserva na mochila! Você precisará muito dele em viagens longas e em alguns lugares sem muita estrutura. E não estranhe se ver muitas casas sem reboco, mas assim como no Peru, as casas bonitinhas e rebocadas pagam um pouco mais no imposto e portanto muitos acabam deixando sem para pagar menos. Que loucura, não!?

Fora isso você verá uma urbanização mais rústica em lugares afastados ou mais colonial em capitais.

Porque visitar a Bolívia?

Estes lugares nos levam a conhecer tanta coisa que nem imaginamos enquanto não formos. Apesar de certa pobreza, aqui a comunidade e a família tem uma importância muito maior do que a dos países mais desenvolvidos aonde se cultua a independência e a tecnologia. Paira uma inocência e uma ancestralidade muito grande e isso, sem dúvidas, é um dos fatores que mexem com você.

Geograficamente é um dos países mais incríveis deste planeta! E por problemas políticos aqui você só não vai encontrar mar pra surfar. Mas encontrá na fronteira com o Brasil territórios mais baixos e úmidos próximos a Amazônia e ao Pantanal e ao sul os lugares mais incríveis! Perto de La Paz encontrará picos enormes como Chacaltaya (fácil de subir mesmo a 5100m). O que não faltam aqui são opções leves, roots e de alto nível para trekking e aventuras. Mais próximo ao Peru você encontra o lago mais alto do mundo e as incríveis Ilhas do Sol e península de Copacabana! E ao sul o chão mais branco que você verá na vida, o deserto de sal de Uyuni; e o céu mais azul que verá na vida na Reserva Andina Eduardo Avaroa (fronteira com o Chile).

Até hoje não conheço alguém (de todos os perfis) que tenha ido e não se emocionado com a Bolívia. Sem dúvidas é um lugar mágico e diferente de tudo o que já viu.

 

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Nossos posts sobre a Bolívia:

Salar de Uyuni / Monte Chacaltaya / Mochilão Chile e Bolívia / Sucre, a capital da Bolívia Imensidões da fronteira Bolívia – Chile / Infinita Highway na Bolívia / “Canción y Huayño” no charango Boliviano / Lago Titicaca / Hostel na Isla del Sol

O que ler, assistir ou ouvir sobre a Bolívia:

  • Livro – “O Guia do Mochileiro”
  • Julian Mourin – Música Argentina! – Música “Cuerpo Mar”
  • Filme “También la Lluvia” (2010)
  • Filme – Diários de Motocicleta
  • Filme – “Especialista em Crises” (2014) com Sandra Bullock
  • Filme – “Esquecidos” (2013) Boliviano
  • Filme – “Libertador” (2014) Espanhol/Venezuelano
  • Filme – “Os Andes não acreditam em Deus” (2007) – Boliviano
  • Filme – “Escreva postais a Copacabana” (2009) – Boliviano
  • Livro – “A potência plebéia – ação coletivo e identidades indígenas, trabalhadoras e populares na Bolívia” de Álvaro Garcia Linera (2010 – Boitempo)
  • Música – Conjunto “Los Kjarkas”
  • Música – Banda “Enfant”
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