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Patagônia (Argentina – Chile)

Relato do nosso mochilão (casal) pela região patagônica (Argentina e Chile), que durou de 1 a 21 de janeiro de 2017. Podemos adiantar que nosso maior aprendizado neste mochilão foi: economize, pois o mundo é caro e enquanto nossa moeda valer pouco nosso trabalho valerá (monetariamente) pouco também, infelizmente. Mas… o outro aprendizado é que, independente disso, dá pra curtir e ser felizão também sempre superando os perrengues mochileiros!

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Um erro que cometemos nesse mochilão foi comprar antecipadamente passagem de ida pra Calafate e de volta saindo de Calafate. Um daquelas bobeadas que só se pensa melhor depois, infelizmente. Se tivéssemos ido para Calafate, curtido toda a região e depois subido, pegando um voo de Bariloche, conseguíssemos economizar um pouco mais de tempo e dinheiro. Paciência e go ahead que a vida segue! =D

1° Dia – São Paulo – Calafate (ARG)

Depois de passarmos o segundo dia do ano morgando algumas horas no aeroporto de Cumbica, partimos para nossa aventura gelada! Com um certo receio inicial, pois a primeira vez que voamos para a Argentina foi meio traumatizante… mas neste mochilão, ainda bem, todos os voos foram de boa!

Chegamos a Calafate no meio do dia e já partimos em uma van transfer que custou 480 pesos (2 pessoas, ida e volta) para nosso Hostel Aves del Lago, onde pagamos cerca de R$ 150 por dia (para casal com banheiro compartilhado). Um hostel que recomendamos fortemente pelas boas condições, bom atendimento, boa liberdade e que fica em frente do belo Lago Argentino (uns 10 m caminhando até o centro). Se for para a esquerda verá o playground (um parquinho com uma baita vista!) e se for para a direita encontrará a ‘praia’ do lago. Aqui descobrimos duas coisas: anoitece realmente muito tarde no verão (que lindo!!!) e venta pra caramba o tempo inteiro (sem o vento é de boa, mas com vento a sensação vai lá pra baixo).

Nossos dias na Argentina eram divididos entre momentos de alegria e descontração enquanto curtíamos tudo o que víamos e momentos de preocupação com o sentimento de “o dinheiro não vai dar”. A Argentina é muito inflacionada e tudo fica muito caro! Caro para nós, pois eles tem o salário calculado com base no dólar, então conseguem se virar melhor, mas nós com o realzinho… dureza! Portanto não se iluda com o “ahhh mas a Argentina não vai bem”.

Nosso primeiro dia foi para conhecer os arredores, ver o Lago Argentino e ver o centro de Calafate! Do jeito bem simples e animador (apesar da parte $$$ da coisa).

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Hostel Aves del Lago

2° Dia – Perito Moreno

Amanhecemos cedo para ir para as lindas geleiras Perito Moreno (cerca de 1h de viagem). Já havíamos comprado o tour lá com a própria senhora (francesa) do hostel e pagamos cerca de R$150 (cada um) por ele. A viagem é tranquila e chegando lá você paga uma taxa do Parque Nacional, que varia dependendo do quanto pagou no ingresso e de sua nacionalidade.

Não desanime se não ver o sol por aqui. Durante o ano, 90% são dias chuvosos e é isso que mantém a geleira tão grande e ‘protegida’ do aquecimento global até então. O lugar é grande e muito bonito! A forma de se andar pelo parque lembra um pouco o jeitão do Parque do Iguazú (as cataratas argentinas).

Um alerta que fazemos é que se você quiser viajar no barco pra ver de perto precisa comprar o quanto antes chegar lá, pois eles lotam muitas vezes.  Não dê bobeira (como demos! Mas no fim foi bom por que economizamos um pouco). Sempre leve snacks pra gastar o menos possível pois os preços sempre serão “turistados” e curta, curta muito pois é realmente muito bonito! Você provavelmente usará o dia todo por aqui e se quiser fazer o tour andando em cima dele, prepare o tempo e o bolso!

Clique na foto pra ver a que quiser maior e veja no caso da placa o quanto você pode percorrer, por isso planeje para não bobear nos horários.

3° Dia – Calafate – El Chaltén

Ok! Você viu Calafate achou bonito, daí viu Perito Moreno e achou lindo demais e resolve então ir pra El Chaltén. É… você vai achar duca…..! O caminho pra lá já é lindo, daí vai chegando perto e mais perto e vai ficando mais bonito e quando você chega. Que beleza! Demos uma baita sorte pois o céu foi limpando cada vez mais!

Chegamos em El Chaltén pelo bus da Chaltén Travel, que sai às 8h da manhã de El Calafate. Cada passagem sai por ARG$450, mais 10 pesos de taxa de rodoviária.  Sempre compre com antecedência pra não dar sorte pro azar. Saímos cedo e lá fomos nós! Bienvenidos a El Chaltén.

A viagem é muito tranquila e o caminho muito lindo, passando pelos lagos Argentino e Viedma. Se puder, posicione-se nas poltronas da frente (se for bus de dois andares) ou à esquerda, pois quando a estrada embica para Chaltén pode-se ver os montes Fitz Roy e outros a larga distância!!!

Chegando em Chaltén, o bus  para no centro de informações turísticas, onde todos os visitantes recebem dicas de quais trilhas é melhor fazer de acordo com o tempo, além de informes de como ajudar a preservar a região. No nosso caso eles erraram duas vezes a previsão do tempo haha 😂… mas dizem que a Patagônia tem um dos climas mais imprevisíveis mesmo 🙂

Como chegamos por volta das 13h, fomos diretamente ao hostel que reservamos no Booking, localizado na parte norte da cidade. Vimos depois que a localização é ótima, porque fica do lado das trilhas maiores e mais bonitas. Apesar de os hotéis bonitos e caros ficarem na entrada da cidade, aparentemente são os da parte nova da cidade os mais bem situados… Ficamos quatro noites no hostel La Luna Country por $18 dólares cada diária por pessoa. São quartos compartilhados, mas tudo é tranquilo e funcional. Foi a primeira vez que testamos dividir o quarto com desconhecidos, mas a sensação de segurança foi grande!

É bom ter em mente que os preços em Chaltén são mais altos, por ser uma cidade muito pequena e turística; então, se puder trazer comida de outro lugar, melhor. Aqui o mercado mais em conta é o La Tostadora Moderna no sul, entrada da cidade. Há outro mercadinho maior ao norte, próximo à ruta 41.

Ok. Vamos ao que interessa. Os lugares para conhecer.

Laguna Torre

O caminho começa próximo ao nosso hostel, ao norte da cidadezinha, e tem 9km de ida. Dobre essa distância se não for acampar. Fizemos a trilha saindo às 14h com sol, muito vento, mas ótima visibilidade. O primeiro quilômetro é de subida leve e logo te leva a um dos belos miradores. Daí pra frente o caminho fica mais plano e passa por paisagens muito bonitas!  No último km é que temos subida novamente; se for até a Laguna Torre, é um caminho até tranquilo; se for seguir até o Mirador Maestri terá mais alguns minutos de subida por pedregulhos contornando a bela lagoa. De lá você terá a vista frontal do Glaciar Grande, e da Laguna a vista frontal do Mt. Torre.

Fique atento aos animais, pois você pode avistar algo raro a qualquer momento. Em nosso caso, um par de águias curiosas nos sobrevoou hahah… Eram águias muito safadinha, que pareciam estar em busca de nossos salgadinhos hahah…

Outra dica é levar uma garrafa média de água (500ml a 1l), pois você pode ir tomando e recarregando no rio ou no lago a qualquer momento. E a volta tem o mesmo grau de dificuldade da ida, por isso calcule bem o tempo. E curta muito o visual, pois é lindo, e se estiver de boa no vento aproveite, pois quando ele vem forte você até perde o equilíbrio!

4° Dia – Laguna de los Três – Mt. Fitz Roy

Essa trilha sai pelo lado norte da cidade próximo da ruta 41. Aqui você irá precisar de mais tempo, pois são 10km, com média de 5h ida e 4h volta. O começo tem um quilômetro de subida moderada, que leva ao Mirador Río de las Vueltas. Ele te dá um visual legal das montanhas do Norte e das curvas do Río de las Vueltas. Seguindo viagem por mais 3km, o terreno fica gradativamente mais fácil até chegar na Laguna Capri e seu acampamento. Visual bonito e lugar de recarregar água e sua energia.

Durante a trilha você pode optar por alguns outros caminhos e todos são muito bem sinalizados e sem chance de se perder, ao menos no verão.

A partir da Laguna o caminho segue até mais fácil, passando pelo Mirador Fitz Roy (tire foto na ida porque na volta pode ser que não esteja mais visível hahah). Depois, a rota segue até o acampamento Poincenot e daí pra frente prepare pernas, pois, para quem não acampa, justamente quando estiver mais cansado é que enfrentará o caminho mais tenso.

O último quilômetro tem 700m de desnível sobre pedras soltas em zig-zag. Mas o que ferra mesmo é o vento que não perdoa. A maioria das pessoas que conhecemos não completou essa parte justamente devido ao vento. Ele é gelado e pode facilmente te derrubar. Mas não desanime, se ver outras pessoas subindo e não vier nenhum guarda do parque avisar pra descer porque o baguio tá tenso, siga! Em 1h você chega.

Daí pra frente é torcer pro vento diminuir, o sol aparecer e a visibilidade ser legal. No nosso caso a torcida não serviu hahahah… Mas chegamos. O visual é lindo, mas confessamos que ficamos pouco mais de vinte minutos pois estava muito, muito frio, chuviscando gelo e com o vento fortíssimo arremessando gelinho e pedrisco na cara ☺. Algumas partes do rosto chegavam a ficar até um pouco dormentes…

A descida é mais tranquila, apesar de escorregadia, e a volta também. Calcule bem o tempo e se proteja usando protetor e corta-vento. Completamos toda a trilha  em 11h porque paramos pra fazer fotos e vídeos, além do vento forte que atrasou um pouco a caminhada.

Fique atento para observar os animais! Vimos uma lebre enorme pulando pelo campo, mesmo antes de começarmos a trilha! Ela escalou uma montanha de pedra melhor que gato hahah.

5° Dia – Chorrillos del Salto

A mais fácil de todas as trilhas, e talvez seja a que você mais conseguirá curtir de boa no final. Ideal pra fazer em meio dia ou quando lhe sobrarem dias na cidade.

Ela começa pela ruta 41, no mesmo lugar da do Mt. Fitz Roy. Tem 3km e logo te leva a uma cachoeira linda. Embora tenhamos pego muito vento na ida, ao chegar não tem vento – e, se tiver sol, curta e tire uma soneca com o som da água.

1h pra ir e outra pra voltar!

Curtimos muito essa com o tempo que pudemos! E ainda fez sol e o vento deu uma trégua (pois não é um descampado).

6° Dia – Miradores da Águia e dos Condores

Estas trilhas saem no lado Sul, pela ruta 23, entrada da cidade. São de subida, porém bem curtas. Tivemos sorte de ver dois condores voando logo na subida, depois que chegamos ao topo do primeiro mirador, e quando descíamos também vimos outro. Para os andinos o condor é um animal mitológico e sagrado, para a ciência é o maior de envergadura e o que vive nas altitudes mais elevadas, e corre risco de extinção.
A vista do mirador Los Cóndores é linda, e mistura a vista da cidade com a de todos os montes.

Já no Mirador Las Águilas a vista é do Sul, para o enorme Lago Viedma e suas planícies.

E a cidade?
É bonita, pequena e cheia de referências aos mochileiros, trilheiros e alpinistas. Sem contar que a cidade só tem mochileiros pra todo lado.

Em nosso hostel havia muitos europeus e, dentre eles, alpinistas que buscam pelas montanhas verticais da Patagônia argentina. O Mt. Torre, por exemplo, é considerado um dos mais difíceis de escalar, senão o mais difícil do mundo.

Hora de seguir viagem. Às 20h partimos para Los Antiguos.

6° Dia – El Chaltén – Los Antiguos/Chile Chico

Viagem noturna bem tranquila rumo a Los Antiguos, indo para o norte. Chegamos bem cedinho (madruga) e nos preparamos para ir para Chile Chico, cruzando uma fronteira que nos daria uma certa dor de cabeça (e nas pernas).

Nossa empreitada começou quando saímos de El Calafate, no sul da Argentina e fomos até Los Antiguos  para atravessar a fronteira com o Chile até Chile Chico. E tudo o que tinha pra começar bem, começou estranho. Ao chegarmos em Los Antiguos nos avisaram que a ida pra Chile Chico é confusa e que o transfer nos levaria até a aduana argentina. Ok. Lá fomos nós. Fizemos os trâmites e depois… se vira meu filho. O preço cobria só até lá, e de lá até a aduana chilena eram bons quilômetros de estrada no meio do nada, logo cedinho. Mochilas nas costas e lá fomos nós para os 8 km matinais! Há quem pegue carona, táxi, mas aí o negócio é bem confuso porque há taxas na aduana argentina que ninguém quer pagar e na chilena, a fiscalização é rígida.

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Um casal de americanos também foi a pé, e um japonês com seu violão também. Começamos por volta das 9h e só chegamos perto das 13h em Chile Chico, uma cidade minúscula, bonitinha e cercada pelo gigante Lago General Carrera, o maior do Chile. Água azul escura, ilhas, vulcão Hudson ao fundo e na cidade há um mirante interessante e uma costanera bem bonita! Fora isso não havia muito o que fazer. E aqui cabem várias dicas!!!

1- Procuramos pelo terminal de ônibus, porque queríamos ir até o local das Capillas de Mármol em Pto. Tranquilo… mas ele não existe! Você pode até perguntar, as pessoas te indicarão lugares que não te levarão a lugar nenhum hahah e assim rodamos por uma hora numa cidade minúscula com mochila e tudo. Quando então um senhor nos contou que na verdade na rua principal existe um lugar de onde sai a van para lá. É uma só. Lá pelas 10h da manhã. Não havia informações na internet sobre isso… por isso apanhamos um pouco. O lugar se chama Martín Pescador e você deve reservar a van com um dia de antecedência. O valor é de CLP$30000 por pessoa.

2- Cuidado com as dicas em Chile Chico. Nos sentimos meio tontos, porque as pessoas adoravam dar qualquer resposta animadora só pra não ficar sem responder. Acreditem! Isso é péssimo!

3- Ficamos no hostel Don Luis pelo preço de CLP$50000 dia/pessoa.

7° Dia – Chile Chico – Puerto Tranquilo

Não era nosso objetivo ficar aqui, mas não houve jeito. No dia seguinte pegamos o transporte e fomos até Pto. Tranquilo, perto de 4hs de viagem. Nisso teve de tudo, pois, no final, a tia da van não fechou direito a porta traseira e na subida foi rolando mala pela estrada… as nossas mochilas não foram, porque a Carina voou para agarrá-las, e eu, Tück, voei para agarrar a Carina. Se lhe veio uma cena de desenho animado em mente, então imaginou certo! Foi pura loucura.

Chegando lá, tudo parecia bem, mas o porto fechou por causa do vento (sempre venta forte hahaha!) e fomos até Bahía Mansa para pegar o barquinho até as Capillas de Mármol. O passeio dura cerca de 1h no barco e nem tem risco de molhar porque o lago é tranquilo. Mas também dá pra fazer de caiaque, se tiver dinheiro e tempo, arrisque-se que vale a pena pela autonomia.

Estava tudo lindo, tirando o fato de que essa mudança de local de saída fez com que perdêssemos o bus para Coyhaique e, novamente, só no próximo dia haveria saídas. Tivemos de ficar em uma cabana junto de um argentino. Rachamos e deu CLP$13000 para cada um a noite. E saiba: Chile Chico é pequeno, mas Pto. Tranquilo é ainda menor.

8° Dia – Pto. Tranquilo – Coyhaique 

O bus para Coyhaique sai por volta das 9h da manhã, mas chegue antes porque é meio confuso e como vem de outro lugar, não vem vazio. Para pegar, é perto do posto de gasolina (o único). A viagem também leva por volta de 5hs e quando chegamos na cidade já íamos pegar um bus pra Puerto Montt, mas adivinha. Não havia mais lugar. E o pior é que ele só sai em dois dias durante a semana. Tivemos que procurar um hostel (foi fácil, a cidade é bem mais estruturada que as outras) e a única opção que tivemos (devido ao tempo que tínhamos) era ir de avião até lá, pela SKY. Compramos a passagem para o dia seguinte no escritório da empresa aérea, o que nos custou CLP$140.000! Caro, mas não tínhamos outra opção. Demos uns rolês pelo centro da cidade, o que nos rendeu um circo de rua e um sebo num tuk-tuk.

9° Dia – Coyhaique – Pto. Montt
Dia seguinte, pegamos o avião, pagando um transfer de CLP10000 até o aeroporto. Ah! Dormimos no hostel Tenedor CLP$40000. Voo tranquilo e depois fomos ao hostel Teresita (administrado por um casal de velhinhos muito simpáticos) pegando mais um transfer de CLP$18000. Porém, chegamos com o dia chuvoso e só deu para ir até a costanera ver o Pacífico e comer em um shops em que achamos um lanche barato. Aqui o alívio dos preços mais em conta voltaram e nos sentimos mais humanos do que na Argentina rs….
10° Dia – Pto. Montt – Vulcão Osorno
No décimo dia, amuados pelo nublado do dia anterior, fomos até a rodoviária e pegamos um bus coletivo até Puerto Varas e o sol já brilhava. Em 1h estávamos na cidade e embora houvesse céu azul, bem o Osorno estava sob nuvens. Sem problemas. Fomos até um molhe e depois pegamos na rua San Bernard o outro micro até os Saltos de Petrohué (entrada de CLP$4000). No caminho, as nuvens se foram e o Osorno se mostrou lindão pra gente durante todo o passeio lindo em Petrohué, que funde paisagens como cachoeira e vulcão em um enquadramento só! Fantástico! A entrada tem desconto para quem é do Mercosul.
Se você pegar o bus novamente e ir até o ponto final chegará ao lago onde poderá pegar um barco para navegar até próximo do Osorno, tendo vista também para os vulcões Calbuco (visível de Puerto Montt também), Ponteagudo (visível em Frutillar também) e os montes Tronadores (fronteira com Bariloche).
Voltamos até Pto. Varas e o clima de balneário estava instalado, muita gente andando nas ruas, curtindo o tempo bom, e muita gente nadando no lago, com vista pro vulcão. Pegamos mais um bus, que agora iria para Frutillar, cidade a cerca de 30 minutos e que nos dá uma vista mais próxima e ainda mais bonita do que Pto. Varas. A cidade respira um ar alemão por causa da colônia alemã no país (também há muitos em Pto. Montt) e além de seu molhe, sua prainha e suas ruas bonitinhas, tem um lindíssimo Teatro, chamado Teatro do Lago. Dentro acontecem espetáculos e festivais e, em alguns, as cortinas se abrem para o fundo se tornar o próprio lago e o Osorno. No final de Janeiro há um grande festival e inclusive Chico Buarque estava escalado para tocar, junto de outros artistas.
Pegamos um bus de volta para Pto. Montt e vimos mais um pouquinho da cidade, que não nos pareceu ter muito a oferecer, mesmo sendo maior que todas as outras. Hora de ir embora: dia seguinte pegamos o bus que nos levaria até Bariloche, de onde desceríamos até o sul da Patagônia Argentina (em uma viagem de bus problemático que nos tomou 30 horas de Bariloche até Calafate… ARG$2120.00 pela Marga Taqsa).
11° Dia – Pto. Montt – Bariloche
Depois de algumas horas, aduanas e fronteiras, chegamos em Bariloche e novamente aquela sensação de diminuição monetária voltou. Bariloche também é tudo caro e sair do Chile para Argentina intensificou esse sentimento hahaha!!! Mas estávamos contentes e prontos pra conhecer um pouquinho que fosse de Bariloche. Fomos então até o Cerro Campanário, pegamos um ônibus através da tarjeta de transporte argentina (ela foi útil depois e no final demos para uma amiga). Você carrega os créditos em qualquer lugar que venda esse bilhete e aí utiliza nos ônibus por lá.
O Cerro Campanário é o mais rápido que dá pra fazer em meio dia em Bariloche. Pegamos o bus e fomos pra subir a pé, sem teleféricos! A subida é até que puxadinha mas curta se comparar aos outros trekkings. A vista lá em cima é realmente bem bonita!
Descemos, nos arriscamos a pegar carona e tcharan! Conseguimos de primeira! Um casal nos levou até o centro e lá pudemos conhecer um pouco da região central de Bariloche. Os argentinos são muito tranquilos para dar carona, faz parte da cultura deles! Então, se tiver meios, aproveite!
Em Bariloche ficamos no Hostel Moving Hostel Travel Bar pagando cerca de R$ 100 por pessoa. O bom é que foi o melhor café da manhã da viagem! 😉

 

12° Dia – Bariloche – Calafate 

Pegamos um busão (por cerca de 2500 pesos ) pela lendária ruta 40… e diz a lenda que ela é infinta! Ainda mais quando o ônibus já dá zica na saída e não consegue sair da terceira marcha. Foi o busão mais infinito que já pegamos… mas.. ainda assim a gente consegue curtir.

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Quando faltavam algumas horas a empresa conseguiu trocar de busão. Isso porquê ficamos parados mais de uma hora em El Bolsón para tentarem consertar… mas não rolou.

14° Dia – Calafate

Ficamos em um outro hostel. Desta vez era em outra região e custou cerca de R$ 100 a mais do que o Aves del Lago. Era mais próximo do centro e nos demos o luxo de ir comer uma pizza depois dessa viagem zicada de busão que nos fez entender que nem sempre pagar caro significa coisa boa (na Argentina você paga caro até pelo serviço mais zé ruela que tiver). Compramos também a passagem para nosso próximo destino!

15° Dia – Calafate – Pt. Natales

Pegamos o bus para Puerto Natales saindo de El Calafate pela empresa Bus Sur por CLP20000. A viagem dura aproximadamente 4h, é bem tranquila e com boas vistas, inclusive do Pq Nacional, que fica no meio do caminho e pode ser avistado de muito longe (em torno de 50 km) se o céu estiver limpo! Recomendamos a empresa Bus Sur (chilena) – o ônibus era limpinho, tinha um banheiro usável e o lanchinho era bom! Na volta (de Puerto Natales para o Calafate) fomos com uma empresa argentina, em um ônibus piorzinho e sem nada de lanche. Era o mais sul que iríamos! O “tempo e o vento”(mentira! o dinheiro!) não nos deixaria seguir adiante para Pta. Arenas e Ushuaya desta vez.

Chegamos a Puerto Natales e fomos ao hostel Backpackers Arkya, com quarto compartilhado por CLP10000/dia por pessoa. Apesar de ser a cidade mais ao sul que fomos (é perto do fim do mundo hahaha) passamos calor, pois o vento parou e a temperatura subiu um pouco – inclusive à noite, com o aquecedor ligado, chegamos a suar bicas no quarto! Apesar de razoável, o hostel tinha dessas incoerências – como a porta de acesso para a rua, que fica trancada durante a noite… tentamos abri-la um dia em que acordamos mais cedo, mas só deu certo quando alguém, do outro lado, deu uma bica nela – e aí descobrimos que tinha quebrado o trinco por dentro hahaha!

16° Dia – Torres del Paine

Fizemos Torres del Paine em apenas dois dias por questões de tempo e dinheiro: eram os nossos dois últimos dias de viagem e nosso dinheiro se esvaiu pela Argentina. Preferimos não acampar e, como estávamos sem equipamento, tudo ficaria caro (alugar, comprar…). Mas a opção de acampar é super válida pra quem já tem seus equipamentos… e se tiver tempo, valerá a pena com certeza!

Com o ônibus já comprado no próprio hostel, acordamos e fomos direto ao terminal. Nosso hostel ficava na Arturo Prat, pertinho do centro e tínhamos de andar 10 quadras mais ou menos até o terminal na Simón Bolívar. Lá, compramos um sanduba de jámon y queso por CLP1000 na banquinha do terminal e pegamos nosso bus.

Tudo bem nublado e quando chegamos à entrada do Parque Nacional… tcharannn!!! Chuva e fila atrasaram todo o trâmite. Perdemos uma hora preciosa aqui até conseguirmos ver as orientações, pagar a entrada e pegar o transfer até o lugar onde começa a trilha rumo ao Mirador de las Torres.

Aqui começa-se a andar e no começo é tudo bem plano até a ponte, de onde começam as subidas. O começo tem uma subida moderada e longa; aí começamos a ver o sol! Subimos, subimos… até o penhasco que beira o rio, depois desce até o acampamento (que é a metade do caminho).

Depois daqui a trilha fica mais fechadinha e como estava sol, gostosa, mas a única coisa que cansa um pouco é que a cada 20m que subimos, descemos 15m em seguida. Isso torna o percurso um pouco cansativo! Com muitas cachoeiras no caminho, leve uma garrafa média apenas – dá para ir recarregando ao longo do dia.

Nosso problema começou no último e mais difícil quilômetro. A Carina estava cansada, mas conseguiria tranquilamente se não estivéssemos com o tempo meio contado. Começamos a subir perto das 11h e na última parte já era perto das 15h. Teríamos que subir até o final e depois descer voando para conseguirmos o bus pra Puerto Natales (aqui é a vantagem em acampar! hahaha).

Depois de passarmos por uma raposa e continuarmos subindo, a coisa ficou mais pesada e nos separamos, para ela descansar com as mochilas e eu seguir até o final (sem carregar peso) pra compensar todo o esforço! São uns vinte minutos de subida pesada sem parar até chegar ao lindo Mirador de las Torres!!! E apesar da nossa dificuldade, tem velhinhos, crianças e todo tipo de gente subindo e descendo. A trilha só fica MUITO complicada quando se tem pouco tempo e uma única opção de transporte – nosso caso. Vimos inclusive um grupo de japoneses bem velhinhos muito feliz por ter completado a subida.

Chegando lá, o visual é incrível, a água é incrível (inclusive pra beber) e, com a sorte que não tivemos no Fitz Roy do Chaltén, estava com o céu aberto e sem nada de vento! Câmera na mão, hora de tirar fotos e curtir a paisagem mesmo que por um tempo mais curto do que desejava. Nessas horas o timer sempre fica nosso amigo nas fotos, mas também deu para trocar ideia com dois coreanos que também pulavam hahaha para tirarmos fotos uns dos outros. 😉

Na hora de descer, o que pega é o final, que tem subidas novamente e descidas intensas – o que torna tudo muito longo! Com os pés bem doloridos pela velocidade como descemos sem descanso, chegamos ao começo da trilha por volta das 18h30 e com o transfer voltamos ao lugar onde ficava o bus! Tudo doendo… mas com uma bela experiência! Hora de voltar pra cidade e comer um Barros Luco em qualquer canto aí hahaha… Ah, no final da descida, Carina se deparou com a raposa bem pertinho da gente. Confessamos: é difícil não se lembrar do Pequeno Príncipe!

16° Dia – Torres del Paine – Fullday

Queríamos fazer esse tour para conhecer o parque todo e seus visuais, mas na noite anterior a notícia de que estava tudo fuuuulll nos preocupou. Deixamos para comprar depois porque não tínhamos certeza se iríamos fazer o passeio ou não… e, no fim, todos os tours para lá estavam lotados. O dono do hostel começou a ligar pra tudo quanto é gente, amigos e tudo mais e nos conseguiu um carro que faria o mesmo percurso, só que mais caro.

Era mais caro que o bus, mas depois descobrimos que era bem melhor, porque pudemos ir a muito mais lugares. Com calma e bom papo, já que eram dois senhores (Maurício e Hector) que faziam tudo com muito gosto e aquela boa e velha hospitalidade chilena. Fomos com Maurício e, no outro carro, estava uma família chilena da região de Calama.

No começo ficamos meio cabreiros… primeiro porque estava tudo nublado de novo. Nosso primeiro point foi uma Laguna que até poderia ser bonita, mas com sol… sem ele, ficou meio sem graça. Depois, o guia nos levou até a Villa Cerro Castillo, povoado onde fica a fronteira com a Argentina, mas não íamos atravessar, foi apenas para nos mostrar coisas da história de lá, sobre os cavalos, ovelhas, povos originários e etc… Só vimos a importância dessa parte do tour ao conhecermos mais os dois senhores. Até então, estávamos com medo de ser um passeio muito “turistada”, sem liberdade para conhecer de fato as paisagens.

Nos custou um pouco mais, mas valeu a pena sim. Sem contar que o sol e o vento nos ajudaram novamente! A quantidade de fotos foi enorme, porque eram vistas muito diferentes sempre e dava pra curtir tranquilamente. Claro que quem tiver acampado pode ver o mesmo, mas terá que ter muito tempo e pé, pois alguns lugares estão fora do circuito W ou outros do Parque.

E na volta, ainda ganhamos um bônus: Nosso caminho não foi o mesmo da ida e cortando estradas no meio das montanhas – baita vista – fomos parar na famosa Cueva del Milodón, um lugar importante para Puerto Natales, pois foi onde descobriram uma caverna onde viviam não só homens pré-históricos, como também um animal pré-histórico chamado Milodón: uma preguiça do tamanho de um urso. Passeio simples (a entrada é meio cara… ¬¬) mas divertido para fechar o dia e logo que chegamos fomos recebidos por uma águia!

Na verdade não havia acabado, pois descemos na costanera de Puerto Natales perto das 20h para ver o pôr do sol, curtir e tirar fotos da cidade. Depois ainda foi hora de abastecer a mochila e comer algo. Ah, não se esqueça, aqui, no verão, o céu só fica totalmente escuro lá pelas 23h. E isso é o maior barato!

 

17° Dia – Puerto Natales – Calafate – Buenos Aires

Fomos para Calafate e só esperamos para voar até Buenos Aires. Lá pudemos cancelar nosso hostel, pois uma querida amiga que já morou em Atibaia e hoje mora em Buenos Aires onde faz faculdade nos convidou para ficar em sua casa! Foi um lindo convite e fomos recebido de forma muito calorosa como a tempos não sentíamos! Aqui tomamos nosso melhor café da manhã de todas as viagens!

Chegamos de noite em Buenos Aires (depois de muito frio, um baita calor abafado), fomos de táxi até o apartamento de nossa amiga que fica muito bem localizado próximo da Mafalda e achando que só íamos conversar e dormir, que nada, fomos dar um rolê noturno em uma cidade que vive a noite. Pudemos conhecer Pto. Madero e alguns arredores.

19° Dia – Buenos Aires – São Paulo

No dia seguinte, queríamos dar um rolê no centro da cidade e conhecer o que desse! Começamos pelo circuito dos personagens de histórias em quadrinho (amantes da Mafalda uni-vos!), fomos até Puerto Madero de novo para vê-lo de manhã, também na Casa Rosada (porém, para ir por dentro é preciso reservar gratuitamente com bastante antecedência pelo site). A avenida do Obelisco e suas imediações são repletas de lugares muito ricos culturalmente, bibliotecas, sebos, galerias e exposições de arte… Pudemos aproveitar o que foi possível na medida do tempo e da distância, já que andamos o dia todo!

Também utilizamos os ônibus para ir ao aeroporto (atente-se pois há mais de um) e se for utilizá-los, pesquise um pouco pois assim como São Paulo é confuso para os forasteiros!

Após isso encerramos nosso mochilão de Janeiro de onde fomos ao sul do continente até voltarmos até Buenos Aires por onde havíamos passado muuuito rapidamente e acompanhados da maior turbulência de nossas em 2014… Dessa vez foi tudo mais tranquilo e agradável!!!

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