Uma casa no ar – Colômbia

Sabe aquele sonho de toda criança de passar uma noite em uma casa de árvore? Agora imaginem que, além de dormir em uma casinha de madeira nas alturas, é possível também relaxar ou tirar uma soneca em uma rede a mais de 80m do solo e, quando acordar, perceber que não é um sonho. Acompanhem aqui um dos posts mais especiais que já fizemos: um Hostal mais que espetacular!

Estamos no norte da América do Sul, Colômbia, nas montanhas verdes de Abejorral, no estado de Antioquia. Esta cidade fica a 2h30 de Medellín, e para chegar pega-se um ônibus no terminal norte (guichê 5 ) com destino a Abejorral, passando por Sta. Bárbara (é preciso avisar durante a compra que se irá descer em La Penha, cuja passagem é um pouco mais barata – vai sair cerca de 10000 Cop). Ao comprar logo avise ao motorista para descer na tienda 80 ou diga que vai para a Casa en el Aire.

Descobrimos tudo isso pesquisando em fóruns internacionais de viagem e depois entrando em contato diretamente com Nilton, dono da casa (niltonlopez20@hotmail.com). Aliás, uma dica para conhecer lugares não muito desbravados pelo turismo é pesquisar em várias línguas… E assim que a Carina descobriu a existência da casa, já foi planejando e trocando muitos emails com o Nilton. E depois de uma frustração que tivemos na cidade de Jardín (não conseguimos fazer o passeio planejado por falta de informações na internet e mesmo no terminal de ônibus de Medellín), aqui nosso passeio superou qualquer espectativa (e, assim como em Jardín, não havia muitas informações sobre a casa e sabíamos que havia a chance de as coisas não saírem conforme o planejado… mas ainda bem que deu tudo certo!).

Após descermos na tienda 80 já havia uma garotinha de 14 anos nos esperando. Perguntou se queríamos comprar algo na vendinha, mas já estávamos trazendo água e coisas pra comer.

Seu nome é Daiana, mora nas redondezas (só há sítios e gente de muita simplicidade aqui) e, junto ao irmão mais velho, ajuda quando pode a receber os viajantes. Um amor de menina, super simpática e amorosa, que logo se tornou amiga nossa, principalmente da Carina. Logo que chegamos, fizemos uma caminhada de uns quinze minutos pelo mato (só subida) até um mirador de onde sai o canopy. A menina se ofereceu para ajudar com as mochilas e a Carina lhe deixou a câmera com zoom para que ela tirasse fotos da gente descendo no canopy, que se assemelha a uma tirolesa de 400m.

Fizemos o canopy e é bem gostoso e tranquilo, mas a Carina, que nunca tinha feito tirolesa, se adiantou e antes que o canopy parasse pôs a mão na roldana! Por sorte só um susto e uma beliscada no dedo, sem cortes nem nada… O problema maior foi ter de ir voltando boa parte do caminho com as mãos no cabo de aço para puxar o corpo até o final.  Após descermos do canopy, era hora de escalar uns 30m de pedra com ajuda do pessoal e das cordas. Por algum trauma de infância, para o Tück é a pior parte, pois lhe dá certa agonia quando já está escalando e sente que não tem onde pôr o pé! Estando por lá há trilhas a se fazer também, uma dentro da mata até o rio (onde se molha um tanto) e outra até o alto do Cerro San Vincent.

Ao subir… hora de conhecer a casa no ar! Ela é sustentada por cabos de aço e algumas escoras de madeira. O resto são várias tábuas de madeiras e telhas. Porém, por dentro, este Hostal é muito melhor que vários em que já ficamos, pois há cozinha com pia, fogão, banheiro, ducha, estante de livros, cobertores, balanço, armários, gavetas, varal, cabides, decoração e dez camas! Sim! Podem-se hospedar até dez pessoas ao mesmo tempo aqui, sempre lembrando que devem trazer água e comida. E a partir do dia 20 de Janeiro é possível acampar em baixo da casa, em uma zona de camping recém montada.

Tendo combinado um valor mais alto por quarto de casal, descobrimos na hora que na verdade o valor era para que a casa fosse só nossa por uma noite! O difícil foi escolher a cama para dormir com tantas. Das dez, todas têm vista! Aliás, a varanda tem vista, a cozinha tem vista e o banheiro tem vista! A vista é para as montanhas de Abejorral e a Pedra em que se encontra a casa do Cerro San Vincent.

Feito o reconhecimento, fomos conversar com as duas famílias colombianas que tinham vindo passar a tarde na casa para fazer o canopy e o pêndulo. O que é o pêndulo? Bom… Você se prende em uma corda com mosquetes de rapel e pula do balcãozinho da casa (perto de uma das camas). O resto do nome é autoexplicativo e durante a brincadeira você pode fazer as poses de Vampiro, Pollo (frango) ou outras maluquices.

Batemos um papo super legal com as duas famílias que hoje vivem em Medellín. Nos falaram sobre nossa próxima parada, San Gil, sobre futebol (são todos torcedores do Nacional de Medellín, clube que foi eliminado e eliminou o São Paulo nos últimos torneios sul-americanos). Futebol, aliás, é sempre bom pra quebrar o gelo – ainda mais no meu caso, Tück, que não sou muito fluente no espanhol. Gravamos, fotografamos seus pulos e mandaremos por internet depois. Realmente, assim como os brasileiros, os antioquenhos são muito amáveis e receptivos! Quando estivemos em Bogotá sentimos um povo mais frio e desconfiado.

Nos despedimos dos novos amigos e da querida Daiana (que aproveitou para pular do pêndulo pela primeira vez) – ahh, eu de última hora também decidi pular! Muito incrível! Era hora de relaxar nas hamacas (redes) lá no ar!

Com a ajuda do alemão (falaremos dele e do Nilton no final do post) vamos com as roldanas até o meio do cabo de aço do canopy e lá mesmo nos penduramos em redes pra dormir! Carina deixou eu ir primeiro, porém, na vez dela, ao chegar lá nas alturas ficou temerosa no momento de preparar a rede (que exige um certo malabarismo no ar) e voltou! Bateu um certo trauma com o que acabara de passar na tirolesa! Sem crise. Voltou e aproveitou para fotografar e filmar a casa. Enquanto isso curti uma hora na rede até o anoitecer.

Quando voltei, escalei novamente pra subir na casa, já de noite. O valor que pagamos ainda nos dava direito a uma garrafa de vinho! Brindamos com o que havia para comer no armário: pão com atum, salgadinhos e bolachas que trouxemos. Uma taça para cada foi mais do que suficiente, pois não bebemos e o vinho nos dava caretas engraçadíssimas a cada gole! Ah, escolhemos um Cabernet Sauvignon chileno da região do Maipo apenas porque estivemos lá em 2014 (os outros vinhos eram espanhóis).

A casa possui luz, tomadas, pois é alimentada com energia solar. Há água também! Ela foi construída pelo Nilton, um alpinista colombiano, em 2012. Ele e seus companheiros provavelmente tiveram um trabalho e tanto! O que era pra ser como uma casa na árvore se tornou o único Hostal no Ar de que se tem notícia! Nilton é uma pessoa muito amável e simpática que conversou conosco por email e nos mostrou a casa quando chegamos!

Ele possui um empregado temporário chamado Alexsander. Ele é alemão, mas faz mais de 20 anos que saiu de lá! Passou um tempo na Argentina e desde então resolveu partir em uma super jornada sem prazos do Ushuaia ao Alasca, na base da carona e dos bicos. No Brasil, passou um tempo em Manaus e no próximo mês partirá ao Equador! O Alemão, como é chamado, é uma pessoa muito gentil e prestativa, ajudando muito a todos nos rapéis e coisas do tipo. Aprendeu sobre isso na Áustria e depois na Colômbia, e com certeza entrará para o hall de alemães que conhecemos nessas viagens! Até hoje, todos de uma educação e simpatia sem tamanhos!

Após dormirmos num ambiente de silêncio e escuridão profunda, em que a vista extremamente estrelada do hemisfério norte nos acalantava (era possível ver o emaranhado de estrelas que formam nossa galáxia), acordamos com um céu lindamente azul, nos permitindo ver contornos e detalhes da paisagem que não pareciam ter tanta graça no nublado do dia anterior. Fizemos nosso café da manhã, separamos dois regalos para nossos novos amigos – um caderninho para o alemão e um estojinho de óculos do Brasil que a Carina usava mas deixou para a Daiana -, escrevemos nossa mensagem na porta de entrada e ficamos a ouvir algumas histórias da aventura de um germânico pelas américas (passou muito perrengue na Venezuela).

Hora de ir embora, nos despedir, últimas fotos e nosso guia mais do que especial nos levou em um caminho de meia hora pelo mato até a tienda 80 para pegarmos a buseta até Medellín. Quem era ele? Negrito! Um cão super bacana que nos levou pelo caminho que não conhecíamos e esperou o bus com a gente!  Ganhou um pão e muito cafuné! Na hora de dar tchau, Negrito quis muito subir no ônibus, mas não pôde. Provavelmente um sentimento parecido com o que tivemos deixando a Casa en el Aire e o Cerro San Vincent para trás…

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7 comentários em “Uma casa no ar – Colômbia”

      1. Oi Rodrigo! Fomos em Janeiro e o preço inclui algumas coisas apenas, outras são a parte.

        Se você quiser fazer o Pulo na corda, ou o trekking para algum dos lados, o preço é a parte. O Canopy e ficar lá na rede o quanto quiser, é incluso.

        O preço eu te recomendo entrar em contato diretamente com o Nilton, tem o email dele neste post: https://dandoumpulo.com/2016/01/13/la-casa-en-el-aire/#more-2008
        Pois aí você já pega o valor certinho para incluir no seu plano e roteiro!!! Muito melhor que estimar o valor a partir de quando fomos! Pode mandar sem medo que ele é super gente boa!!! =)

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