Mochilão Chile e Bolívia

Primeira lição como mochileiros: anotar tudo é fundamental!
Roteiro de 20 dias de Santiago a La Paz em Janeiro de 2014.
Decidimos começar pelo Chile para irmos subindo aos poucos em direção à Bolívia e fugirmos do tão temido soroche – o mal de altitude. Não sei se foi sorte, mas o fato é que deu certo – nem uma dorzinha de cabeça. ;)
Compramos as passagens pela Decolar e pela Submarino Viagens (essa sim nos deu um pouco de dor de cabeça, mas no final deu tudo certo). Com 6 meses de antecedência, conseguimos bons preços, mas creio que se tivesse ido procurar diretamente as agências (ou tivesse usado a opção Multidestinos, que ainda não conhecia) os descontos seriam maiores.

1⁰ dia – Santiago

Chegamos a Santiago depois de um voo montanha-russa rumo a Buenos Aires (algumas argentinas que conhecemos no caminho disseram que todos os ventos confluem para o aeroporto de lá… não sei se é verdade ou argentinos contando vantagem até dos ventos… rs… mas o fato é que foi o momento mais tenso de toda a viagem. Afinal, se for pra morrer, que seja na viagem de volta :P).
Depois de uma conexão um pouco mais longa que o previsto (muita chuva), pegamos um voo da Austral rumo a Santiago. E aí mais uma descoberta: os voos que passam sobre a Cordilheira sempre têm turbulência. Se o primeiro voo parecia uma montanha-russa, o segundo parecia uma canoa de tanto que balançava.
Finalmente em terra, fizemos todo o procedimento de imigração e tals. Fugimos dos táxis e pegamos uma van (Tur Bus) rumo ao metrô (Estação Pajaritos). O aeroporto é bem longe da cidade, então recomendo o serviço de vans. São baratas e têm espaço para as mochilas no fundo.
Descendo no metrô, compramos um cartão BIP para usar no metrô/ônibus e já carregamos com o valor que tínhamos calculado que iríamos gastar. Fomos até a estação Baquedano e de lá fomos caminhando até o Hostal Forestal (também reservado via Decolar). O hostal é simpático, mas fica em uma ruazinha bem escondida e ninguém a quem perguntávamos conhecia o lugar.
Passeamos pela região e fomos jantar no Pátio Bellavista, um shopping muito charmoso, que se tornou um dos nossos lugares preferidos da cidade. Outro lugar que nos conquistou foi o Parque Forestal, praticamente ao lado do Hostal. Como no verão demora para escurecer no Chile, dava para aproveitar um solzinho no parque até 8, 9 da noite. Por lá ficam alguns museus muito bonitos também (mas, pelo tempo corrido, acabamos não entrando em nenhum).

2⁰ dia – Santiago

Acordamos cedo e fomos caminhando até o Cerro Santa Lucía. Recomendo chegar cedo, pois o local do mirante é meio apertado e, conforme a manhã passa, vai enchendo de gente. O Cerro é muito bonito, tanto pela construção quanto pela visão da cidade que se tem de lá. Subindo há uma lojinha que vende o famoso mote com huesillos (uma bebida de pêssego bastante doce). Por lá também há uma feirinha de artesanato indígena bem legal, apesar dos preços não serem tão em conta (como em quase tudo que visitamos no Chile, aliás).
Saindo do Cerro, fomos até uma agência da Tur Bus comprar as passagens para San Pedro. De lá comemos em um restaurantezinho da região (pastel de choclo – achei meio estranho – e suco natural de framboesa, uma delícia!). Ainda fizemos câmbio em uma rua da qual não anotei o nome, pra variar :p Mas é uma rua bem perto do Palacio de La Moneda, que foi o nosso próximo destino no dia. Ainda visitamos a Catedral Metropolitana (linda por dentro e por fora), e passamos em frente a prédios históricos, como a Municipalidad e o Correo Central.
Depois pegamos um metrô até a Estação Baquedano e de lá fomos caminhando até a Casa do Pablo Neruda (só passei para conhecer e comprar livros; o local estava abarrotado de turistas e acabei não entrando). Depois, ainda a pé, fomos pegar o funicular para subir o Cerro San Cristóbal. O cerro é sensacional, com uma vista muito mais ampla do que o Cerro Santa Lucía. Não ficamos até o pôr do sol (que seria só às 21h, depois do funicular fechar, e não queríamos descer a pé). Minhas dicas são: 1. comprar artesanato por lá (achei alguns preços bons e as lembrancinhas mais criativas da viagem – caderno do Pablo Neruda, caneca do Condorito, agenda do Che…) 2. Tomar sorvete (excepcionalmente barato para os padrões do Chile) assistindo à maravilha das Cordilheiras.
Uma curiosidade chilena é a quantidade enorme de cachorros nas ruas, mas todos bem cuidados e receptivos a um bom cafuné. No próprio Cerro havia vários deles, que não sei como chegavam até lá em cima. E não vimos as ruas emporcalhadas, o que seria de se esperar pela quantidade absurda de animais sem dono. Assim, mesmo quem vai sozinho ganha como companhia vários amigos caninos

 3⁰ dia – San José del Maipo (Enbalse Yeso)

Esta foi uma indicação dos Mochileiros e uma das melhores decisões que tomamos na viagem. Quem vai a Santiago não pode deixar de fazer um passeio com o Jorge Excursiones! O guia é muito gente boa, excelente fotógrafo e só vai para lugares de arrepiar de tão bonitos. Nós decidimos fechar um passeio para o Embalse del Yeso, que é uma espécie de represa de Santiago. No entanto, o ponto alto desse passeio foi o trekking nas Cordilheiras, acima de 3000 m! Ficamos cercado de montanhas, de cachoeiras e de picos nevados… somado à altitude, foi literalmente de perder o fôlego! Ao chegar ao topo, ainda encontramos a Laguna de Los Patos, verdíssima, incrível. No final, banho de termas vulcânicas e de cachoeira gelada para relaxar. Recomendo muito este passeio, pois é o mais longo que o Jorge faz em um dia. Só voltamos às 22h para Santiago e valeu cada segundo!

4⁰ dia – Viña del Mar

Este é o único passeio que fiz no Chile do qual me arrependo um pouco. Em primeiro lugar, porque perdemos o ônibus da Tur Bus por questão de 1 minuto – atenção para quem fica domingo em Santiago, porque neste dia o metrô abre mais tarde (contra o planejado, tivemos de caçar um ônibus que fosse para lá) :/ Além disso, o terminal era bem longinho do metrô… pelo menos foi essa a impressão que tivemos, correndo para tentar pegar o ônibus a tempo…
Viña me pareceu uma cidade bem sujinha e só a parte da praia é bonita. Todo o resto da cidade eu achei bem sem graça (talvez tenha tido essa impressão por ter ido pra lá em um domingo de manhã, com tudo fechado e ninguém na rua). E até a praia, com o Oceano Pacífico congelante, não deu pra aproveitar tanto. O ponto alto do passeio foi procurar um ou dois leões marinhos que vagavam por ali… Tirar foto com o Castillo Woolf de fundo e um restaurante em formato de barco também é de lei.

5⁰ dia – Rumo a San Pedro

Neste dia quase perdemos o ônibus de novo… como disse, o terminal é longe do metrô (e parece ainda mais longe quando se está em cima do tempo e com 30 kg de mochila nas costas). Outro fator que dificulta é que os terminais (a palavra mágica para terminal é “andén”) têm uma numeração confusa. Quando perguntávamos qual era o nosso terminal, os chilenos respondiam que era “algun andén entre el diez y el veinticinco” (não lembro se eram esses exatamente os números, mas o fato era que tínhamos de ficar de olho em uns quinze terminais ao mesmo tempo para ver em qual pararia o nosso ônibus).
Quando fomos comprar a passagem para San Pedro, a opção que queríamos (poltrona semirreclinável, preço acessível) já tinha sido comprada. Como não queríamos passar também 23 horas em um banco duro, acabamos investindo um bom dinheiro na compra das passagens mais caras (com banco que virava cama). No entanto, apesar do peso no bolso, achamos uma boa escolha. Alguns brasileiros que conhecemos no Chile nos disseram que era o mesmo preço de ir de avião, mas creio que ter ido de ônibus pode ter sido um fator muito importante para não passarmos mal com a altitude. Não sei, é só um palpite. De qualquer forma, as paisagens são incríveis (desertos, praias, montanhas), e a passagem mais cara nos garantiu regalias, como ficar na frente da televisão (assistimos uns 500 filmes até chegar a San Pedro… rs), lanchinhos (nem tivemos de nos preocupar em comprar comida) e um bom sono.

6⁰ dia – Chegada em San Pedro

Chegamos de manhãzinha em San Pedro (havíamos saído de Santiago às 11 da manhã do dia anterior), pegamos as mochilas e fomos andando até o hostel, também comprado pela Decolar (Hostal Ayllu). Não compensa pegar táxi, a “rodoviária” (entenda-se casinha no deserto) é bem perto das ruas principais de San Pedro (Caracoles e Toconao).
Depois nos instalarmos no Hostal, que mais parecia um estábulo (tenho mais motivos para reclamar desse lugar mais pra frente), fomos direto para a agência, que havíamos reservado antes por email (IncaCoya Tours).
Neste dia saímos às 16 horas e fizemos o tour Laguna Cejar + Ojos del Salar + Puesta de Sol en la Laguna Tebenquinche. A Laguna Cejar é muito bonita, tem tanto sal que é impossível afundar nela, é azulíssima e tem como pano de fundo o vulcão. Para tirar o sal do mergulho da lagoa, logo em seguida fomos ao Ojos del Salar, uma lagoa com 17 metros de profundidade (e água doce – ou menos salgada, enfim). Também é muito bonita e o pessoal se divertia mergulhando nela. Caso você não saiba nadar (como eu), uma dica importante: leve água para se enxaguar! Como eu não entrei no Ojos del Salar para tirar o sal, acabei ficando com algumas queimaduras na pele depois…
Por fim, a Laguna Tebenquinche era muito bonita também, apesar de ser extremamente rasa (mal dá para molhar o pé). Lá é um bom lugar para tirar fotos com perspectiva. O pôr do sol no deserto é sempre incrível, foi de aplaudir (e assim o foi pelo pessoal que estava lá). Um passeio que vale super a pena.

7⁰ dia – Ainda em San Pedro

Neste dia saímos às 7 da manhã do hostel para o seguinte programa: Lagunas Altiplanicas (Miscanti y Miñiques) + Salar de Atacama (Laguna Chaxa) + Pueblo Socaire + Pueblo Toconao.
A Laguna Chaxa é cheia de flamingos, mas deve ser vista antes da Laguna Colorada da Bolívia (ou perderá toda a graça, visto que a quantidade de flamingos bolivianos é muito maior). As Lagunas Altiplânicas são realmente incríveis, uma paisagem absurda de tão linda. Todo o caminho até as lagunas (que ficam a uma boa altitude) também é de paisagens fenomenais. Socaire e Toconao são povoados interessantes, mas perto da cena das lagunas acabam ficando um pouco apagados.
Neste dia, que achávamos ser o segundo de 5 dias que ficaríamos em San Pedro, fomos informados pela IncaCoya Tours que o governo da Bolívia iria fechar a visitação para o Salar de Uyuni em função do Rally Dakar. Se quiséssemos ir para Uyuni, nossa última chance seria partir no dia seguinte.
Tivemos de mudar todos os planos na correria, mas a sorte é que a agência foi super honesta, devolveu todo o dinheiro dos passeios que não faríamos e o pessoal de lá ainda nos ajudou a trocar pesos chilenos por bolivianos. Já no hostal, o papo foi outro. Passamos o dia inteiro atrás da dona, que não apareceu, não devolveu o dinheiro das noites em que não ficaríamos lá e não deu satisfação. Encontramos muitos brasileiros reclamando da picaretagem da dona do hostal que, por sinal, também é brasileira. Portanto, minhas dicas são: vão de IncaCoya Tours e fujam de Hostal Ayllu!
Sei que San Pedro é uma cidade simples e que para lá temos de ir com espírito aventureiro, mas já que me roubaram uns pesos chilenos, não custa complementar a crítica: o hostal parecia um estábulo, faltou água quente, o banheiro compartilhado estava sempre sujo, a roupa de cama não tinha cara de limpa e as paredes eram megafinas, o que me incomodou também.
Voltando a falar de coisas boas (mas não TekPix), nesse dia ainda fizemos o Valle de La Luna, com direito a pôr do sol no Valle de la Muerte. Os cânions são muito bonitos, ainda mais alaranjados pela cor do sol se pondo no deserto. Também é um tour que recomendo.

 

8⁰ dia – Rumo a Uyuni

Começamos o dia em um carro rumo à aduana chilena, onde registramos nossa saída do país em um processo um tanto demorado. Depois, fomos à aduana boliviana, na qual um 4×4 já nos esperava com nosso guia Abel.
Quando li sobre a fronteira terrestre do Chile com a Bolívia aqui no Mochileiros, fiquei com a imagem de uma casinha de madeira no meio do nada gravada na mente. E, realmente, o escritório da migração é uma simples casinha de madeira… mas cercada por picos nevados, vulcões, águias sobrevoando os cumes… Essa primeira imagem que tive da Bolívia foi muito marcante pra mim, pois já me informou o que o país seria ao longo da minha viagem: simples, mas absurdamente rico em paisagens.
Fomos acompanhados pelo guia Abel, que era calado, mas sabia nos informar tudo o que perguntávamos sobre o país (e seu silêncio nos deixava livres para apreciar a beleza das paisagens), por duas brasileiras e por um casal de alemães. Uma dica dos Mochileiros que se mostrou verdadeira: nos tours em 4×4, é bom combinar revezamentos de lugar, pois os bancos do fundo são apertados.
A partir de então, começamos o tour pela Reserva Eduardo Avaroa, que é o lugar mais incrível que já vi. Lagos, vulcões, gêiseres, desertos, montanhas nevadas… tem de tudo por lá, e condeno a crime inafiançável quem ousar ir direto para o Salar de Uyuni sem conhecer as belezas da reserva. A Bolívia é um paraíso turístico, e merece ser conhecida.
Começamos pela Laguna Blanca, cercada por uma cadeia de montanhas. Depois, passamos pelo deserto Salvador Dalí, com formas retorcidas e também cercado de montanhas nevadas, combinando gelo e areia em uma cena surreal.
Se as termas vulcânicas chilenas já foram incríveis, não tenho nem o que dizer das Termas Polques: super quentinhas, são piscinas em um cenário multicolorido de cadeias de montanhas. Ainda nesse dia vimos gêiseres, que, apesar do cheiro de enxofre, são surpreendentes – é ver a Terra em movimento, borbulhando. E, para finalizar, ainda fomos ver muitos e muitos flamingos na Laguna Colorada, que é completamente cor-de-rosa. Nessa laguna meu namorado se aventurou um pouco mais e conseguiu encontrar vários lhamas descansando à beira do lago.
Já sabíamos que neste dia ficaríamos em um refúgio nas montanhas, sem luz, sem aquecedor, sem banho e sem papel higiênico. No entanto, garanto que foi uma das melhores experiências de hospedagem que tive. A simplicidade do pessoal da pousada é de comover; eles pareciam ficar sem reação a cada “gracias” que falávamos, como se não estivessem acostumados a ser tratados com gentileza (a discriminação com os indígenas, que são a maioria da população boliviana, ainda é muito forte). Pelo frio que fazia à noite, não sentimos falta de banho (nada que lenços umedecidos – indispensáveis nesse tipo de viagem – não resolvam). O lugar era bem quentinho, mas mesmo assim nos aventuramos a sair lá fora à noite para admirarmos o espetáculo do céu estrelado.

9⁰ dia – Ainda na Reserva Eduardo Avaroa

Depois de um café da manhã simples, mas maravilhoso, encaramos mais algumas horas de carro para vermos um pouco mais do deserto e suas formações rochosas, como a Árbol de Piedra. Uma sequência de lagunas incríveis, cheias de flamingos, foi a continuação do tour: passamos pelas Lagunas Hedionda, Honda, Cañapa e Chiarcota (ficávamos discutindo qual laguna era mais bonita, até chegarmos à conclusão de que todas têm alguma característica diferente, o que torna difícil compará-las… mas são, apesar de diferentes, igualmente incríveis!).
Antes do almoço, ainda deu para escalar algumas formações rochosas no Ejército de Piedra, o que garantiu boas fotos ;)
Almoçamos na Laguna Negra (comida preparada por nosso guia), depois de caçarmos lhamas para fotografar. Nesta hora nos perdemos um pouco do grupo, mas nosso guia, em vez de ficar preocupado, disse que sabia que voltaríamos rapidinho, pois na área em que estávamos costuma haver pumas…
Mais algumas horas de carro chegamos ao poblado de San Juan, onde compramos algumas coisinhas para comer no mercado da cidade (com nossa cara de turistas, os preços ficaram inflacionados, mas mesmo assim baratos). Lá vende um refrigerante de malte, que foi a pior coisa que tomamos na viagem… ops, na vida… kkkk… fujam dele!
Não dormimos no Hotel de Sal, pois uma parte do salar estava alagada, o que acabou alterando um pouco os planos… ficamos em um hostel que cobrava a senha do wi fi e limitava o tempo de banho.

10⁰ dia – Uyuni

O passeio tradicional do Salar é feito no período da tarde, vendo o pôr do sol. Queríamos ter feito isso, pois à tarde há mais nuvens, o que dá um efeito ainda mais interessante na paisagem. No entanto, por causa do Dakar, tudo teve de ser feito meio no improviso, e trocamos o pôr pelo nascer do sol.
Conhecemos gente que já foi no Salar várias vezes e nunca o viu alagado… felizmente demos essa sorte! Quando o carro andava, dava a impressão de deslizar sobre as águas… Realmente, aquela imensidão de sal, somada à impressão de estar sobre um espelho gigante de água, é sensacional.
Passamos ainda pelo Cemitério de Trens, que é interessante, mas parece uma oportunidade gigante para pegar tétano… kkkk…
Depois voltamos para Uyuni e ficamos esperando até o horário do nosso bus rumo a Potosí (viagem decidida de última hora, já que ficamos 2 dias a menos no Chile). Como a cidade estava em plena preparação para o Rally Dakar, estava muito interessante visitar as barraquinhas de comidas, lembrancinhas e de turismo espalhadas pela cidade. Havia várias opções de turistada, como tirar foto com bolivianos e lhamas, andar de bug, ver danças típicas… foi inesperado, mas foi engraçado (e por outro lado, nos fez ver o quanto um evento desse porte tem o poder de interferir em uma cidadezinha minúscula).
Uma das coisas que mais nos chamou a atenção foi uma exposição de arte boliviana, toda pautada no tema “mar”. Eles levam muito a sério essa questão histórica, e quando o Evo Morales diz que irá lutar para recuperar o mar boliviano, não é apenas delírio político; pelo que vimos, é uma aspiração muito forte dos bolivianos.

11⁰ dia – Sucre

Esse foi o dia de maior aventura de viagem, e nos fez entender um pouco o modo boliviano de fazer as coisas… rs… Compramos uma passagem rumo a Potosí com a promessa que, ao chegarmos lá, esperaríamos 2 horas no terminal um outro bus rumo a Sucre.
Além das estradas ruinzinhas, o ônibus era bastante desconfortável… até aí tudo bem, mas descemos a 1 da madrugada no meio do nada. E ninguém mais iria para Sucre… e nesse momento o motorista do ônibus fala que teríamos de ir de táxi… Só que o táxi era um carrinho velho de um motorista acompanhado de sua mãe no banco da frente… Depois entendemos que ele levou a mãe porque estava caindo de sono e precisava de alguém pra conversar com ele o tempo todo :/
Depois de alguns minutos, o motorista para no meio do nada, ao lado de alguns caras estranhos… e aí pensamos: “ferrou!”. O motorista sai, vai para o porta-malas pegar alguma coisa (eu jurando que era uma metralhadora)… e era só a blusa de frio… kkkk… momento tensão da viagem!
A tensão piorou quando fomos abandonados às 2 da matina na periferia de Sucre, com todos os hostels ocupados… a sorte é que encontramos uma padaria aberta, e dentro dela um taxista que nos levou de hostel em hostel até encontrarmos um desocupado. Ficamos no Hostel Las Torres, que achei muito confortável, apesar de sairmos de lá desconfiados de que roubaram nossas bolachas… kkkk
Minha dica é ir para Sucre em um domingo, quando as ruas estão mais vazias e dá para passear mais tranquilamente. A cidade é um charme, me lembrou um pouco Ouro Preto. Compensa passear tranquilamente pela cidade, ver as igrejas, pedir um petit gateau (Copa Brownie) no Café Abis (o melhor que já pedi na vida, e que de “petit” não tinha nada)… e terminar o dia com o pôr do sol no mirante da cidade.
Sucre é uma cidade com bastante pobreza, mas é algo bem diferente do que vemos no Brasil. A maioria dos pedintes eram velhinhas ou crianças indígenas (e, no caso das mulheres, sempre com roupas típicas, mesmo em condições de pobreza, como se preservar a identidade fosse mais importante que tudo).
Não deixem de visitar as pracinhas da cidade. Além de ver os prédios históricos, de domingos é possível ver a criançada brincando (no Parque Bolívar) e arriscar brincar junto: andar de cavalo, de bug, de motinho… enfim, fazer um “programa família”.

12⁰ dia – Sucre

Neste dia, depois de sofrer um pouco para encontrar uma casa de câmbio que aceitasse real, visitamos a Galeria de Arte Contemporânea e o Museu Antropológico. É bem interessante para conhecer o ponto de vista boliviano sobre a própria história: lemos legendas explicando o quanto a compra do Acre pelo Brasil foi um golpe sujo, por exemplo. Também é possível ver 2 múmias nesses museus, além de muitos objetos das culturas indígenas da Bolívia.
A minha alegria foi encontrar uma feira de livros em Sucre nesse dia… minha mala dobrou de peso… rs. Se na Bolívia é tudo muito barato, em matéria de livros é realmente uma pechincha! No entanto, dei sorte de encontrar esta feira, pois livrarias não são muito comuns por lá (na verdade, não vi nenhuma… as “librerías” só vendiam artigos de papelaria).
Depois de mais uma passada no Café Abis e na pizzaria (as pizzas bolivianas são muito boas), pegamos nosso interminável bus rumo a La Paz.
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13⁰ dia – La Paz

12 horas de ônibus com o banheiro quebrado – esse foi o loooongo percurso até La Paz. O ônibus era muito confortável, mas faltou levar um penico. Além disso, quando perguntei se tinha cinto de segurança, riram na minha cara… e olha que, com as estradas que pegamos, realmente precisava
Já tínhamos reserva no Loki, que é um hostel bem badalado, um dos mais requisitados em La Paz (reservamos meses antes). Nesse dia passeamos pelos arredores da Iglesia San Francisco, uma área com mais prédios e, também, mais pobreza. Uma das coisas que mais nos surpreendeu foi ver os engraxates mascarados – geralmente pessoas que cobrem a cara por acharem o serviço de engraxate humilhante. A Bolívia tem contrastes sociais gigantes, mas é tudo muito diferente do Brasil. Em todos os dias úteis que passamos nas capitais do país – Sucre e La Paz – presenciamos protestos. É impressionante a força política dos indígenas, que têm de ser vistos como muito mais do que “pobrezinhos” ou desvalidos.
Façam o tour pela Iglesia San Francisco! Além de toda a história, no final dá para subir no teto e ter uma visão interessante da cidade.

14⁰ dia – Tiwanaku

Fomos com a agência que fica dentro do próprio Hostel Loki. As explicações do guia são indispensáveis para entender a beleza do lugar e a grandiosidade da cultura dos tiwanaku. É um tour muito interessante, ainda mais quando vemos o quanto a cultura dos indígenas foi arrasada pelos espanhóis.

15⁰ dia – Copacabana

Compramos um passeio para Copacabana de 2 dias também na própria agência dentro do Hostel Loki. Quando chegamos em Copa (depois de pegarmos uma estrada maravilhosa, que rodeia o Titicaca), deixamos a maior parte das malas na agência e fomos pegar os barquinhos para a Isla del Sol. Para quem gosta de aventura, dá para ir na parte de cima do barco (e assim se livrar do cheiro forte de gasolina).
O tour pela Isla del Sol, apesar do dia um pouco chuvoso, foi uma aula de história inca, uma imersão na cultura boliviana, com o cenário incrível do Lago Titicaca. Para terminar, ficamos hospedados em um hotelzinho maravilhoso por lá, Jacha Inti (com direito a ver o sol nascer no lago pela manhã).

16⁰ dia – Copacabana

Conseguimos trocar a passagem da excursão para ficarmos 1 dia a mais em Copacabana. Ficamos no Hostel 6 de Agosto, com um chuveiro quebrado e bem ruinzinho, de maneira geral (mas barato). Subimos o Cerro Calvario, que tem uma vista linda (pegamos um dia nublado, mas pelas fotos que vimos, dá para assistir a um pôr do sol lindo de lá). Compramos várias bugigangas em Copa (é praticamente o mesmo preço de La Paz – desde que se pechinche – mas mais organizado que a Calle de Las Brujas).

17⁰ dia – La Paz

Voltamos para La Paz no final da tarde e, como não conseguimos mais vaga no Loki, ficamos hospedados no Hostel Muzungu, por indicação da guia. É bem mais barato que o Loki, e também bem badalado (apesar de não tão limpinho). Do lado fica uma pizzaria muito boa… aliás, tanto no Chile quanto na Bolívia, as pizzarias e lanchonetes que frequentamos serviam de tudo… nem precisávamos procurar por lugares que vendessem nada específico… saímos bem mais gordos dessa viagem… rs

18⁰ dia – La Paz

Neste dia pegamos a excursão para o Chacaltaya, ainda com a mesma agência. Já tínhamos ouvido falar que a estrada era bem estreita, e fiquei aliviada de irmos de van em vez de ônibus… mas mesmo assim, contamos com uma dose extra de adrenalina com um motorista que nunca tinha feito aquele caminho e fazia questão de andar à beira dos precipícios, a estrada nevada e escorregadia e uma pedra enorme que tinha deslizado e bloqueado a estrada (mas conseguimos passar, beirando o precipício mais uma vez). No entanto, ver neve e subir a 5300 metros compensa os momentos de tensão! Como ainda estava nevando no dia, a visibilidade não estava tão boa, mas mesmo assim dava para visualizar os lagos bem abaixo da montanha… uma paisagem incrível. De volta ao quarto do Hostel Muzungu, fizemos nosso desenho na parede com canetão! Vandalismo? Não… o quarto apesar de simples e de não ter banho privativo era cheio de desenhos de outros viajantes. Então fizemos o nosso, com um mapa a olho que deixou o sul magrinho e o nordeste gigantesco! Sabe como é, sem cola, tive que criar minha própria projeção cartográfica, a chamo de Projeção de Tück! Pena que a Carina não pode usar essa projeção nos livros didáticos com quais trabalha… ele carece de pesquisas científicas mais profundas hehehe…

19⁰ dia – Iquique

Saímos de La Paz no sufoco – quando falam para acompanhar as notícias da Bolívia, acreditem! Quase não conseguimos sair da cidade em função de uma grande manifestação por causa do transporte público (e só ficamos sabendo por acaso, porque não estávamos acompanhando os jornais). Depois de algum sufoco, chegamos ao aeroporto e fomos a Iquique, no Chile. Como chegamos no finalzinho da tarde, pagamos um táxi até a praia mais próxima para vermos o pôr do sol no mar. Depois, bora dormir no aeroporto e, por fim, no vigésimo dia, o voo de volta para o Brasil, com muitas saudades e uma coleção de fotos de momentos inesquecíveis.

20⁰ dia – volta a casa

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