Trilha Salkantay – MachuPicchu – Peru

A trilha Salkantay é uma das coisas mais viscerais e memoráveis que você pode fazer no Peru se não quiser ter a sensação de visitar Machu Picchu como quem visita o Hopi Hari. Para nós foi literal a frase “a felicidade está no caminho e não na chegada” e é isso que o Salkantay representa com todas as suas paisagens, perrengues e aventuras. São 4 dias de Cusco até Machu Picchu a pé, com preço acessível, aventura garantida e muita história pra contar! Confira aí!!!

Quando chegamos a Cusco após muitas idas e vindas, pegamos táxi do lado de fora do aeroporto mesmo, porque não estávamos conseguindo negociar os preços com os taxistas autorizados. O taxista que nos levou mais em conta ainda deu informações sobre a cidade, sobre os pontos turísticos… Ficamos no The green shelter, reservado via Booking, com uma vista linda, perto da Plaza de Armas e com um café da manhã que justifica a diária, levemente salgada.

Conhecemos os arredores e, na volta, um representante da agência que contratamos para ir ao Salkantay esperava por nós para entregar mapas e todas as explicações sobre o roteiro. Pagamos USD$330 com a Inca Peru Travel, e como fizemos o pagamento antes da alta do dólar, na época não achamos muito caro… Considerando as várias paisagens pelas quais se anda, fugindo muito do roteiro clássico a Machu Picchu, é um investimento que vale a pena sem dúvidas.

Ao final, colarei o texto que a agência divulga sobre a trilha para quem quiser ter os detalhes mais técnicos. Mas nossa aventura começa em Mollepata depois de sair bem cedo de Cusco (a agência te busca com uma vanzinha no seu hostel). Toma-se um café da manhã e partimos rumo a Soraipampa andando por caminhos de terra em uma subida que vai apertando enquanto o caminho vai estreitando de rua para trilha. Nas primeiras três horas você não terá nenhuma surpresa em relação a paisagem, é como andar por sítios e caminhos dentre árvores, porém, depois das primeiras subidas mais íngremes você começa a se deparar com as altas montanhas e o vale do rio Apurimac. Depois do almoço o caminho fica deslumbrante e a caminhada ganha algumas descidas.

Usar aqueles bastões de caminhada e estocar alguns chocolates e snacks (além de água) é uma boa dica pra não desperdiçar energia no começo! Após o almoço o caminho vai se deleitando pelo vale do Apurimac com diversas montanhas de neve ao fundo, inclusive é possível avistar o Abra Salkantay (lugar mais alto por onde passaremos). Quando chegamos aqui, sabíamos onde iríamos dormir (entre as montanhas de neve) e passamos a conversar com os companheiros de caminhada (alemães, argentinos, franceses e brasileiros) enquanto tomávamos sopa de quinua, chá de coca, pipoca e chocolate quente por conta.

O frio começava a bater um pouco mais forte apesar de ser verão, mas o que nos pegou de surpresa foi uma BAITA tempestade que deu a partir da meia noite. Estávamos dormindo exaustos nas barracas quando começou o vento e um mundo de trovões e raios sem fim. Confesso que eu (Tück) me senti como quando bem pequeno tinha medo de chuvas e trovões. Como já havíamos passado por Yungay em Huaraz e visto as histórias das avalanches eu ficava imaginando aquele monte de neve descendo montanha abaixo hahaha… mas que nada. Acordamos 5h da manhã e quando saímos da barraca a surpresa foi bem mais agradável: o que era grama, terra e pedra havia se convertido em neve e gelo. Esse seria nosso cenário pra subir o Salkantay no segundo dia.

A caminhada aí é pesada pois seu pé vai afundar na neve e ficar molhado, portanto um tênis impermeável é sempre bem vindo (não tínhamos kkkk). A subida é intensa no esquema ‘despacito y siempre’ e é quando topamos com a maior das altitudes da trilha, ao lado do Abra Salkantay como podem ver na foto. A chegada aqui é na hora do almoço e a descida é bem gostosa no começo pois o caminho é aberto e bem bonito, no entanto, na hora de comermos, um dos amigos alemães estava BEM mal. Não sabemos ao certo se foi o frio ou a altitude mas a cara dele era de dar medo, felizmente na continuação do dia ele foi melhorando (e andando kkk). Na segunda parte pegamos muita chuva e lama até o acampamento… a sensação de estar molhado é sempre meio chata, mas o cansaço é tanto e a sensação de missão cumprida também que logo você acorda novo de novo pro outro dia.

O terceiro dia permeia outro vale cheio de cascatas e florestas e a paisagem agrada durante a caminhada. Aqui algumas opções se abrem ao chegar em La Playa e ir até as termas nadar e relaxar é sensacional! Dependendo da galera e do esquema, nesta noite rola uma fogueira com música e rapazeada dançando umas cúmbia loca hahaha!!! Você pode curtir a noite trocando ideias e ouvindo música ou simplesmente dormindo! O sono será sagrado!

No quarto dia a trilha começa da usina até Aguas Calientes e boa parte do caminho é acompanhando a linda trilha de trem que fica abaixo da cidade histórica. Boa parte do caminho é reto mas o cansaço já bate bastante e aí cada um faz no seu rítmo até chegar na cidade, onde poderá comer e relaxar no hostel em que ficará até o dia seguinte. Aguas Calientes é uma das cidades mais aconchegantes da América do Sul, não tenha dúvidas! Aqui também é onde você abastece a mochila pra ir para Machu Picchu pois comprar qualquer coisa lá (inclusive água) é loucura.

O quinto dia é todo em Machu Picchu e aqui a Carina fez de bus (Águas – Machu Picchu) e eu (Tück) a pé, tendo sido inclusive o primeiro a chegar lá na entrada hahaha! Era questão de honra e apesar do cansaço foi uma subida bem gostosa (ela é cheia de degraus e cansa sim rs). Lá, nosso guia peruano Edwin contou várias coisas interessantes sobre a cidade e que complementavam as diversas outras histórias e informações que nos deu durante toda a trilha. Aliás, os peruanos mais nativos dos Andes são muito semelhantes ao povo boliviano no que diz respeito a seriedade, timidez e bondade. Aqui é preciso ressaltar a importância de estar com guia para não cair nas centenas de bobagens que inventam e contam sobre o Peru e Machu Picchu. Não que não gostemos de histórias e não nos vislumbremos com as possibilidades místicas da cidade, apenas não queremos que esse mercado místico e apócrifo apague a verdadeira história dos Incas e toda a sua luta de sobrevivência perante aos colonizadores espanhóis. E como sempre dizemos, Machu Picchu é lindo, mas o Peru é muito além de apenas essa cidade histórica… Cusco, Huaraz, Huacachina, Huanchaco, Nazca, Lima, Trujillo… são tantos lugares incríveis que limitar apenas a Machu Picchu é um pecado terrível!

Mas ainda não acabou. O passeio de Machu Picchu pode ter um “quê” a mais se você se antecipar e conseguir a entradinha reservada para o Wuayna Picchu que é aquele “pão de açucar” que sempre aparece nas fotos clichês da cidade. Aqui os degraus são nivel hard, é teste pra joelho e pra quem já andou cinco dias é a cereja do bolo. Mas a vista lá de cima compensa e muito, portanto, se vai até Machu Picchu, programe-se e reserve sua entrada para o Wuayna pois no dia você não conseguirá nem chorando.

Lembre-se também que há epocas entre Fevereiro e Março que o local fecha para visitantes e não é possível entrar. Nós fomos em Janeiro, época de chuvas, mas conseguimos curtir e pegar sol (e chuva) em todos os lugares em que fomos! Depois disso, a volta para Cusco é de trem e daí você pode seguir curtindo as zilhões de atrações maravilhosas dessa cidade que é um dos xodós históricos do nosso continente! Aí embaixo segue o roteiro que a agência nos passou no começo!!!

Qualquer dúvida é só perguntar nos comentários ou nos procurar no @Dandoumpulo do Facebook! 😉

Roteiro da agência – Trilha Salkantay

É uma nova e interessante alternativa que substitui o Caminho Inca clássico e é para quem deseja desfrutar da natureza e da sua biodiversidade, de uma variedade de climas e formosas paisagens glaciais da cordilheira, até chegar a Machu Picchu.

DIA 1: CUSCO – MOLLEPATA – SORAYPAMPA
Sairemos de Cusco entre as 4h30 e as 5h00 da manhã, para nos dirigirmos em ônibus até a localidade de Mollepata (2.900 m. acima do nÍvel do mar), onde chegaremos pelas 9h00, para tomar o café da manhã. Hoje, faremos uma formosa e cênica viagem até Limatambo, com vistas panorâmicas do majestoso nevado Salkantay. No caminho, pode-se apreciar uma impressionante cadeia de montanhas cobertas de neve e o vale do rio Apurimac.
Na chegada, nos encontraremos com o nosso pessoal de logística e carregaremos o equipamento sobre as mulas, para dar início à nossa caminhada até Cruz Pata (3.200 m.a.n.m.). Caminharemos umas 3 horas, passando por tradicionais comunidades andinas como Cruz Pata e Challacancha, onde pararemos pelas 12h00 para o almoço e logo de um pequeno descanso, seguiremos caminhando pelas aldeias de Soraypampa (3.850 m.a.n.m.) e chegando pelas 17h30 ao nosso primeiro acampamento, onde jantaremos e descansaremos.

DIA 2: SORAYPAMPA – CHALLWAY
Após um bom café da manhã, e bastante cedo, iniciaremos a caminhada mais árdua da viagem. Saindo às 7h00, percorreremos o lugar denominado Pampa Salkantay, para logo nos dirigirmos até o lado esquerdo do nevado Humantay, situado junto ao Salkantay e ao meio-dia, estaremos no ponto mais alto (passo Salkantay – Humantay 4.500 m.a.n.m.).
Lá, contemplaremos vistas espetaculares do imponente nevado Salkantay (6.264 m.a.n.m.), conhecido como o segundo pico mais alto da região de Cusco, assim como dos nevados Humantay e Huayanay. Após 1 hora de descanso, almoçaremos na zona denominada Huayrac Punku. Logo, faremos uma caminhada de umas 3 horas até o campo de Rayanniyoc (2.890 m.a.n.m.) ou ao campo de Chaullay (2.920 m.a.n.m.), onde acamparemos a segunda noite.

DIA 3: CHALLWAY – LA PLAYA
Após o café da manhã, sairemos às 7h00, para caminhar durante 5 horas. No caminho, passaremos pelo povoado de Collpabamba, numa região chamada “Selva de Nuvens” ou “Beira da Selva”, onde tem cascatas, árvores frutais, variedade de flora, coca e pássaros. Ali, pode-se observar a colheita da banana, cascatas e, se tivermos sorte, poderemos ver o famoso “Galinho das Rochas”. Logo, almoçaremos em Wiñaypoqo e tomaremos uma hora de tempo livre para descansar. Depois, continuaremos a caminhada por umas 3 horas, até chegar à zona denominada La Playa (2.350 m.a.n.m.), observando uma grande variedade de orquídeas, antes de chegar ao nosso acampamento.

DIA 4: LA PLAYA – AGUAS CALIENTES
Após o café da manhã, ás 7h.30, iniciaremos a nossa caminhada, nos dirigindo até os restos arqueológicos de Llactapata, onde pararemos em um passo de montanha a 2.950 m.a.n.m. Ali veremos alguns rastros da cultura inca e teremos uma vista sobre a montanha de Machu Picchu, assim como de outros cumes da zona e gozaremos de um tempo livre para descansar. Depois, desceremos durante umas 2 horas até a Planta Hidroelétrica de Machu Picchu, a 1.870 m.a.n.m.
Depois do almoço e com o pessoal todo, partiremos às 15h20, no trem que nos levará em 45 minutos ao povoado de Aguas Calientes, a 2.000 m.a.n.m. Opcionalmente, você pode ir aos banhos termais que estão situados a uma distância de uns 10 minutos a pé do povoado. Seguido, jantaremos e nos acomodaremos num hotel.

DIA 5: AGUAS CALIENTES – MACHUPICCHU
Muito cedo neste último día e logo após o café da manhã, pegaremos o primeiro ônibus em direção ao Santuário Histórico de Machu Picchu, onde chegaremos em 30 minutos. A visita guiada durará umas 3 horas e logo depois, teremos um tempo livre para tomar fotos ou fazer a subida até a cume da montanha de Huayna Picchu, a visita do Templo da Lua ou a da Porta do Sol (Inti Punku). Almoço em Aguas Calientes, para logo retornar à cidade de Cusco, onde chegaremos às 20h.30.

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