“Sal da Terra”

O sal da terra (documentário de 2015)

 Um documentário sempre nos dá um tom de verdade mais potente, revelando-nos situações difíceis, por vezes ocultas, ainda que, na maior parte do tempo, trate-se apenas de problemas aos quais nunca tínhamos nos dedicado com a devida atenção. Neste filme, vemos pelo olhar do grande fotógrafo Sebastião Salgado os extremos da miséria humana –  potencializada pela linguagem documental e pelas câmeras de Salgado.

Ainda que sua obra seja bastante conhecida, neste documentário podemos ver, sem censura, imagens do fotógrafo que nem sempre são exibidas na mídia, tal o seu grau de brutalidade – ou, melhor dizendo, de verdade. Afinal, bruto é o ser humano – que, como mostra Sebastião em suas diversas viagens -, está sempre em guerra, corrompendo-se e fazendo corromper.

Os contextos históricos, de muita violência, fotografados pelo protagonista do filme, levaram-no a reflexões profundas sobre a nossa (des)humanidade. Suas fotos são sínteses de experiências de vida (ou sobrevida) chocantes, incômodas, desesperadoras. E, mesmo em meio a tanta desilusão, o filme (e o fotógrafo) mostram caminhos possíveis para uma reintegração, um novo começo entre homem e terra.O filme foi produzido e lançado cerca de 2 anos antes do maior desastre ambiental já ocorrido no Brasil: o rompimento das barragens em Mariana (MG). Este ocorrido não só dizimou o Rio Doce e boa parte do litoral capixaba, como também sua fauna e sua população ribeirinha. É aí que entra Sebastião Salgado, como poderão notar na última parte do documentário: ele e sua mulher mantém um grande projeto de reflorestamento na fronteira entre o MG e o ES, justamente área atingida pelo desastre da lama. O problema é que muito dos seus trabalhos fotográficos e editoriais foram patrocinados justamente pela Vale, a empresa responsável pelo ocorrido em Mariana. Sebastião Salgado então se viu em um grande entrave entre objeto e mecenas.

Mesmo tendo tomado a frente na concepção de um projeto de recuperação da bacia do Rio Doce, indo inclusive até o Palácio do Planalto apresentá-lo, muitos ambientalistas e várias pessoas da sociedade não viram com bons olhos a ideia, tendo notado que em toda sua proposta, em todo seu discurso e seu projeto, não há em nenhum momento a citação do nome da empresa causadora: a mecenas Vale. Fica a reflexão a todos, se todo dinheiro de financiamento é bem-vindo, ou se existem limites éticos para o tipo de relação entre o financiador e o artista.

O Sal da Terra
IMDB: 8.4  – 110 minutos
#cin&mochila

https://www.youtube.com/watch?v=djTFzYLiAw0
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