Rita – Série dinamarquesa

A DINAMARCA É AQUI. Esta série dinamarquesa deu as caras no Netflix há pouco tempo e os comentários são muito bons por lá. A série tem coisas muito legais mesmo… mas antes gostaria de falar sobre o título do post e porque ele está aqui no Dandoumpulo.

Obviamente que este é um canal sobre viajar por aí da forma que puder, sempre como forma de abrir a mente e ampliar horizontes; respeitar diferenças e reconhecer-se no outro. Viajar é isso. E quando não podemos sair por aí fisicamente, livros, filmes, séries e documentários nos ajudam de alguma forma. Esta série praticamente nada tem a ver com viajar em si, mas serve muito para nos fazer entender um pouco sobre a síndrome do vira-lata que acomete tantos brasileiros por aí.

Outro motivo é que sim, acreditamos que devemos romper as correntes que criamos por tantos anos com hollywood. Não é antiamericanismo, é entender que durante anos os canais de tv (abertos e fechados) nos limitaram a assistir o que vinha de lá a ponto de acharmos normal falar sobre halloween e associar natal com neve em pleno verão brasileiro. Sem contar o fato de que nós dois, aqui no dandoumpulo, trabalhamos diariamente com educação (em vários níveis e momentos) e essa série tem muito a ver com este universo.

Normalmente lemos que a Dinamarca é top da educação, onde até a família real estuda em escola pública e por aí vai. Não duvido. Mas quem lida diariamente com educação e observa o mundo já deve ter observado também o fenômeno que eu chamo de “Homogeneização dos Problemas”. É simples: o mundo globalizou – as tecnologias chegaram para quase todos, os programas, as músicas, alimentos… e os problemas.

Se você assistir a série com uma leve atenção notará o olhar cínico e mais frio que a produção traz em relação a educação do país. Nada de idealizações. Mesmo sendo a Dinamarca, alunos jogam estojo na professora, queimam parte da escola, engravidam precocemente, usam drogas no ensino fundamental, cometem bullying, tem problemas de socialização, compram amigos com doces, são vítimas dos problemas paternos e… do sistema tosco em que a educação ainda se encontra.

Talvez os problemas de Rita, uma professora do tipo poderosa que mete os pés pelas mãos em quase tudo quando se trata da vida pessoal, sejam apenas uma distração para o que tá rolando ali no fundo: a educação.

Vibro assistindo a série, assim como o fiz com Merlí (belíssima série catalã), não pelas histórias novelescas, mas por ver e poder afirmar facilmente duas coisas: “A Dinamarca é aqui!” e “O problema não é o Brasil” – o que não faz com que não sejamos parte do problema.

Sim… o nosso problema não está na situação econômica. Uma economia bem desenvolvida não resolve problemas como os citados ali em cima mostrados pela série. Nem resolvem os altos índices de suicídios no Japão, na Noruega e etc… Pense. Uma educação que colabora com índices suicidas não é uma educação para a vida, para o coletivo, para a liberdade. São pessoas que não querem mais viver porquê perderam toda esperança do mundo.

Nosso problema não está nos governantes corruptos (claro que eles dificultam e muito nossa vida, mas é porque facilitamos muito a deles por alienação e ignorância). Nosso problema não está nos métodos pedagógicos (e sim em seguí-los cegamente). Afinal, a Dinamarca, a França (já assistiram “Entre os muros da escola”) e tantos outros possuem verba para aplicar em formação, em preparo real… mas não o fazem. A alienação é a mesma. As distrações são as mesmas.

Será que os países muito pobres sabem que quando se livrarem da malária, da fome e da falta de perspectiva não estarão prontos para um desenvolvimento que não comprometa suas vidas em comunidade, suas relações familiares e com a natureza?

Será que se pararmos de pensar “mas no Brasil…” e esquecermos um pouco isso e passarmos a tomar nosso universo pequenininho diário (nossa casa, nossa escola, nossa comunidade) superaremos desafios que deixamos de enfrentar por colocarmos a generalização antes de tudo? Procurar soluções de uma forma mais criativa e coletiva para problemas reais, com pessoas reais e conversas reais.

Ah… na Dinamarca tem menos alunos é verdade. E ainda assim eles os posicionam um atrás dos outros com o professor palestrando e propondo bobagens sem sentido como “faça uma redação aí sobre você”, “vamos fazer um conto nosso em que eu invento a história toda”…

É isso. A Dinamarca com IDH de 0,866 (o do Brasil é 0,699), 5% do PIB para a educação básica, 600 mil alunos matriculados na rede básica (no Brasil são 50 milhões) e todo o seu desenvolvimento econômico, bagagem e vantagens históricas, pouca população vulnerável e príncipes na escola pública… ainda enfileira crianças e jovens em uma sala de aula.

É Brasil, não é só aqui. “Há algo de podre no reino da Dinamarca!” – Shakespeare em Hamlet.

Se você assistiu, deixe aí também sua opinião, observações, questionamentos… =D

#cinemochila
#cin&mochila

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2 comentários em “Rita – Série dinamarquesa”

  1. Estou adorando essa série , principalmente por assistir às opinões, as reações de um povo q não é dos EUA, pois ao longo da minha vida , somente deles vieram exemplos de países desenvolvidos, como regras para vivermos bem. Porém podemos sentir q as dificuldades deles em muitos aspectos se assemelham a brasileira. Não sei se a série quer mostrar q o dinamarquês está mais a frente do q realmente é ou eles são bem mais livres em relacao a sexo. Provavelmente as crianças assistam essas séries e tem muitas cenas q aqui seria expressamente proibidas nesta faixa.. Tanto isto como o ato de fumar abertamente por uma prof q na história é um ídolo , aqui seria totalmente proibido .Realmente muitas coisas me assustaram por vir da Dinamarca.. A nossa imagem lá fora , indicando q somos libertinos .. cai por terra nesta série .. somos bem menos …kkk.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Sonia, obrigado pelo seu comentário! A gente também ficou meio chocado com algumas coisas (mais voltados para o mundo educacional). Nas questões que você falou, como já estamos acostumados a ver produções europeias (catalãs, russas, italianas, francesas, etc..) podemos dizer que de libertino o Brasil não tem nada haha… para os americanos por exemplo, a europa é o lugar para se viver uma sexual eurotrip.
    Apesar de sermos o país tropical, do carnaval e etc, somos na verdade um país extremamente conservador e moralista em boa parte dos costumes (e muito disso se deve, como vc disse, a influência norte americana na nossa cultura).
    Não sei se já viu uma outra série (catalã) chamada Merlì. Acho que vai gostar bastante!

    Um grande abraço!

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